Júri do caso Barberena inicia com depoimentos de testemunhas de acusação

Pela manhã, a juíza que preside a sessão negou o adiamento do júri e a execução dele em outra cidade

Legenda: Júri foi iniciado na tarde desta segunda-feira (30), na Câmara Municipal de Paracuru
Foto: Fabiane de Paula

Após uma manhã com negativas da Justiça para que o julgamento do empresário Marcelo Barberena fosse adiado, o júri foi iniciado na tarde desta segunda-feira (30), na Câmara Municipal de Paracuru, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). As primeiras oitivas foram com as testemunhas de acusação. Após uma pausa de uma hora, realizada por volta de 19h45, a promotora Ana Gesteira deve retomar o julgamento, agora com as seis testemunhas de defesa.

Ao todo, 15 testemunhas serão ouvidas pelo Tribunal do Júri, nessa tarde. A primeira a prestar depoimento foi a delegada Socorro Portela, que presidiu o inquérito na época do crime. Além dela, já foram inquiridas as seguintes testemunhas de acusação: o policial Hugo Moura, que atendeu a ocorrência; Beatriz Carvalho, amiga de Adriana; Carla Santos, colega de trabalho de Barberena; Paloma Martins, amante do acusado; Paulo Pessoa de Carvalho, pai e avô das vítimas; e Neide Cleia Moura de Carvalho, a mãe de Adriana. Ana Paula Moura Pessoa de Carvalho, irmã e tia das vítimas e por fim, Eurídice da Silva, moradora de uma casa próxima aonde aconteceu o crime.

Neide Cleia começou a depor afirmando que irá lutar por Justiça enquanto puder. “Nunca nem recebemos uma carta da família dele. A Pietra pergunta como ele matou a mãe dela. Fica falando: vó, não queira estar na minha pele. Você pensa que eu não sofro? Eu sofro mais do que vocês”, disse. Ela ainda afirmou ter certeza de que Barberena foi quem matou sua filha e sua neta. 

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Já Paloma Nascimento, que mantinha uma relação com o réu, disse em depoimento que ele havia a informado que estava divorciado quando começaram a se conhecer. "Marcelo me prometeu ir ao Rio Grande do Sul só com a Pietra. Com a Jade não, porque ela era muito pequena e precisava ficar com a mãe. Ele me disse que Jade e Adriana só iriam depois para Paracuru. Só depois dos fatos que eu soube que eles foram juntos", ressaltou. 

Ela confirmou ter recebido uma mensagem de Barberena no dia fatídico, a qual dizia: "não escreve". Ela ressaltou ao Ministério Público que tem medo do réu e não teve mais contato com ele desde que foi preso. Estão previstas duas pausas durante o dia: uma para o jantar às 18h e outra para a ceia, às 21h. A previsão é de que o júri ocorra, inclusive, durante a madrugada.

Mais cedo, a juíza Bruna dos Santos Costa Rodrigues, presidente da sessão, negou, além da suspensão do julgamento, o desaforamento do processo para uma comarca próxima, a transmissão ao vivo da sessão e recusou um pedido da própria suspeição. 

O caso

Marcelo Barberena é acusado de ter matado a esposa Adriana Moura Pessoa de Carvalho Moraes e a filha Jade Pessoa de Carvalho Moraes, em 2015. Elas foram encontradas mortas em uma casa de veraneio, em Paracuru, no dia 23 de agosto daquele ano. 

O réu foi denunciado como autor do duplo homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, recurso que dificultou a defesa da vítima e feminicídio). 

Consta na denúncia ofertada pelo Ministério Público do Ceará (MPCE) que, após discussão do casal Marcelo e Adriana, o acusado efetuou disparos contra a esposa e, em seguida, atirou na filha que estava dormindo. Na casa, duas famílias, a das vítimas e a do irmão do acusado, passavam o fim de semana.

Barberena foi preso horas após o crime. Em um dos primeiros depoimentos prestados, ele confessou os homicídios. Depois mudou sua versão sobre os fatos alegando ter sido forçado por policiais a confessar a ação. Atualmente, o réu sustenta já ter se deparado com a esposa ensanguentada no dia da tragédia.

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