Depois da tragédia, parentes das vítimas amargam prejuízos

A loja da família em Serra Talhada foi fechada, o veículo teve perda total. Em Brejo Santo, parente tenta recuperar o Celta após as rajadas de tiros

Escrito por Melquíades Junior , melquiades.junior@diariodonordeste.com.br

Segurança

Nada fica no lugar para quem ficou. Continuar a vida após a morte dos outros é também transformar a engrenagem de viver. Cláudia, esposa de João Batista, de Serra Talhada, sabe muito bem. A loja da família, Magalhães Informática, não durou sem seu idealizador. O estabelecimento está fechado, e com ele, os rendimentos se foram.

Informática é um ramo complexo, mas era o negócio de João Batista. Morou um tempo em São Paulo, pegando o jeito de encontrar as novidades tecnológicas. Quando voltou a morar em Serra Talhada, queria abrir uma loja. O irmão Daniel Magalhães pretendia instalar uma de frios. João pergunta, como quem pede, que faça isso temporariamente em casa, para que ele pudesse colocar a empresa de informática. Um negócio que vinha dando bem certo.

Lucro vem depois

"Meu irmão tinha um jeito diferente de fazer negócios. Ele não tinha a preocupação de vender a qualquer custo. Às vezes, chegavam pessoas que você via que eram mais humildes, ele sugeria produtos bons, que atendessem àquela necessidade. Se fosse outro estava preocupado em vender o mais caro, o que desse maior retorno", explica Daniel.

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João Batista fazia viagens de rotina a São Paulo para trazer novidades. Tinha o apoio de Cícero Tenório que, em 6 de dezembro, chegava no aeroporto de Juazeiro do Norte com esposa e filho.

Também o veículo da família, uma Ford Ranger tomada pelos criminosos durante a tentativa de roubo aos bancos, teve declarada perda total. Além disso, celulares dos reféns ainda estão de posse da investigação, recolhidos que foram para serem periciados.

Familiares de Edneide Cruz, em Brejo Santo, conseguiram de volta o Celta, este usado pelos criminosos, também onde morreram a própria Edneide e um dos suspeitos dos ataques. Mas Genário Laurentino, o irmão, precisou custear desde o reboque na delegacia até os consertos no veículo, que não apagam as marcas da violência: tiros por todos os lados. Pelo menos um dos projéteis furou o tanque de combustível, que precisou ser remendado, demandando custos altos, quase R$ 5 mil. Uma complicação para a família simples de agricultores.

Legenda: Fachada da loja de João Batista, morto em Milagres.O estabelecimento funcionou por menos de um mês após a morte de seu proprietário. Um aviso está pregado na porta anunciando o fechamento
Foto: FOTO: J L ROSA