DDF investiga ação de estelionatários

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Redação producaodiario@svm.com.br
A Delegacia de Defraudações e Falsificações (DDF) retomou as investigações em torno de uma fraude milionária que vem sendo aplicada por uma quadrilha de estelionatários cearenses, baseados em Fortaleza, cujas vítimas estão espalhadas por vários Estados brasileiros. Trata-se de uma falcatrua conhecida como ‘golpe do montepio’ ou ‘golpe do pecúlio’. As pessoas que acabam sendo lesadas pela gangue, em geral, são servidores públicos aposentados ou parentes de militares já falecidos.

O homem apontado como ‘cabeça’ da organização criminosa continua em plena atividade, gozando de impunidade e desfrutando do dinheiro alheio. Chama-se Felinto Frazão Correia, natural de Parnaíba (PI), e que usa vários nomes falsos ou codinomes como ‘Doutor’, ‘Coronel’ ou ‘General’. Ele consegue obter o dinheiro convencendo as vítimas a fazerem depósitos em contas bancárias de ‘laranjas’, sob a promessa do pagamento de pecúlio ou montepio, que teriam sido deixados por parentes que morreram há anos.

CONTAS - No entanto, para resgatar o dinheiro, os familiares são convencidos a depositar dinheiro nas contas, supostamente relativo ao atraso no pagamento do montepio, pois só com a quitação é possível o resgate do benefício. Desde o ano passado, a quadrilha liderada por Frazão vem sendo desarticulada, paulatinamente, pela equipe da DDF.

O delegado Jaime de Paula Pessoa Linhares, titular daquela Especializada, informou ontem que, somente nas últimas duas semanas, mais três inquéritos foram instaurados para apurar o golpe. “Isso, sem se falar nas dezenas de BOs (Boletins de Ocorrência) feitos em outros Estados e que nos estão sendo enviados através de fax. Pessoas de outros Estados estão sendo vítimas da quadrilha montada aqui em Fortaleza”, explicou Jaime.

Ontem à tarde, a equipe da ‘Defraudações’ deteve um dos ‘laranjas’ da quadrilha, identificado como Astrogildo Jordão Aparecido da Silva. Ele confessou que abriu quatro contas-poupança na Caixa Econômica Federal e o dinheiro que ali era depositado - pelas vítimas do golpe - era entregue ou sacado diretamente pelo chefe da quadrilha. Em troca, o ‘laranja’ recebia pouco menos de 10 por cento do saque.

A Polícia descobriu que ‘Frazão’ montou uma rede de ‘laranjas’ e chegou ao ponto de reter o cartão magnético e a senha do comparsa que abriu as referidas contas.

Segundo ainda a Polícia, ‘Frazão’ responde a, pelo menos, 12 inquéritos na DDF. O delegado informa que já foram encaminhados à Justiça três pedidos de decretação da prisão preventiva para o acusado, mas, estranhamente, todos foram negados e o ‘cabeça’ da quadrilha continua agindo impunemente. Os valores depositados pelas vítimas nas contas da quadrilha são variados e o total do golpe ainda está sendo verificado.