Conclusão de inquérito sobre sumiço de jovem permanece pendente

Dois meses após o desaparecimento, a Controladoria de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD) afirma que as investigações prosseguem no intuito de esclarecer o caso. Mãe e namorada de Anderson Henrique da Silva não acreditam mais que irão encontrar o corpo do jovem

Legenda: Anderson, 20, não é visto pela família há três meses. A mãe diz ter certeza de que ele está morto
Foto: Foto: Helene Santos

Se antes a família de Anderson Henrique da Silva Rodrigues, 20, pedia para que, pelo menos, dessem a eles o direito de enterrar de uma forma digna o corpo do jovem, agora, eles não acreditam mais nem na chance de ter acesso ao restos mortais dele. Hoje, 11 de agosto de 2019, Dia dos Pais, a família de Anderson continua uma luta iniciada há dois meses.

Na tarde do dia 11 de junho de 2019, Anderson foi visto pela última vez. Segundo testemunhas, ele estava acompanhado por policiais militares, em Horizonte, Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) e, diferente do que foi pensado logo de início, não estava sob proteção destes servidores, mas sim na posição de alvo. Vizinhos prestaram depoimento à Polícia Civil afirmando que ouviram os gritos da vítima pedindo socorro.

Família e testemunhas alegam que o jovem foi morto pelos PMs após uma abordagem premeditada e ilegal. Desde então, o caso vem sendo acompanhado pela Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD) e pelo Comando da Polícia Militar do Estado do Ceará (PMCE).

Mesmo passados 60 dias, Anderson não foi encontrado, e há poucas informações concretas indicando o que realmente aconteceu naquele 11 de junho de 2019. A CGD pediu à Justiça, por meio da Delegacia de Assuntos Internos (DAI), prorrogação do prazo para conclusão do inquérito que apura este desaparecimento. De acordo com a Controladoria Geral de Disciplina, "as investigações continuam no sentido não só de localizá-lo, mas esclarecer o caso". Por nota, a CGD acrescentou que mandados de busca e apreensão já foram cumpridos pela DAI, além de oitivas.

A reportagem questionou quantos depoimentos foram colhidos até então, mas não obteve resposta. A PM esclareceu que os sete servidores do Comando de Policiamento de Rondas e Ações Intensivas e Ostensivas (CPRaio) envolvidos na abordagem contra o desaparecido permanecem afastados das atividades operacionais e, atualmente, se encontram trabalhando no setor administrativo da Corporação.

Desalento

Maria Cristiane da Silva, mãe de Anderson, afirmou nunca mais ter sido procurada por nenhuma das autoridades para prestar esclarecimentos: "Eu estou levando minha vida. Tenho que seguir mesmo com o coração bem apertado. Desde o começo eu sabia que ele não estava vivo. Eu tenho certeza que os policiais mataram meu filho. Vai ficar assim, né? Vai ficar por isso mesmo. Só para mim que não vai ficar esquecido", disse.

Alarme falso

Além da mãe, a namorada do jovem também já não acredita que um dia vai saber o que aconteceu com Anderson e nem se despedir dele. Aline Sinara de Sousa recorda que no mês passado chegou a notícia de que o corpo de um homem foi encontrado em Chorozinho, cidade próxima a Horizonte. Segundo Aline Sousa, a mãe do jovem desaparecido forneceu amostra de DNA para comparar com o do cadáver, e o resultado mostrou que não se tratava de Anderson.