Após briga, primos viraram líderes de facções rivais em Pacajus

Os dois homens, que já estão recolhidos em presídios federais, foram alvos de novos mandados de prisão preventiva, na deflagração de duas operações do Gaeco contra as organizações criminosas Comando Vermelho e PCC

Legenda: Presos foram levados à Delegacia de Capturas e Polinter (Decap), em Fortaleza
Foto: FOTO: NATINHO RODRIGUES

Entre os 44 alvos das operações deflagradas pelo Ministério Público do Ceará (MPCE), ontem, estão dois primos. Antes comparsas no mundo do crime, os familiares brigaram e, hoje, são líderes de facções rivais, em Pacajus, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). Os dois homens, que já estavam recolhidos em presídios federais de segurança máxima, tiveram novos mandados de prisão cumpridos.

A reportagem apurou que José Fabiano Nunes de Alencar, o 'Fabiano Dantas', já respondia na Justiça Estadual pelos crimes de homicídio, latrocínio, roubo, receptação, ameaça e organização criminosa e seria a liderança da facção Primeiro Comando da Capital (PCC), em Pacajus.

Já Francisco Patrick Alencar Amaral, o 'Patrick Dantas', respondia por tráfico de drogas, homicídio, crimes do Sistema Nacional de Armas e organização criminosa. Ele era subordinado ao primo, mas após uma desavença e a chegada das facções no Município, se tornou um líder do Comando Vermelho (CV). Os dois primos começaram a disputar territórios para o tráfico de drogas, em Pacajus e municípios vizinhos, e já trocaram até ameaças de morte.

Reportagem publicada pelo Diário do Nordeste, em setembro de 2012, mostrou que a quadrilha a qual os dois homens pertenciam foi desarticulada em uma ação da Polícia Militar, em Pacajus, por suspeita de homicídios, tráfico de drogas e roubos. Fabiano era o líder do bando e ordenava os crimes, mesmo estando preso. E Patrick era o 'homem de confiança' do primo, que repassava as ordens aos demais criminosos.

Operações

As operações Banguê e Saratoga/Pacajus, deflagradas ontem pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), do MPCE, visavam a membros do CV e do PCC, visto que integrantes das duas facções já foram comparsas antes da briga entre os primos.

Os promotores de Justiça do Gaeco cumpriram 44 mandados de prisão preventiva e 41 mandados de busca e apreensão, com apoio da Coordenadoria de Inteligência (Coin) da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS); do Departamento Técnico Operacional (DTO) da Polícia Civil; da Coordenadoria de Inteligência (Coint) da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP); e do Departamento Penitenciário Nacional (Depen). As ordens judiciais foram determinadas pela Vara de Delitos de Organizações Criminosas da Comarca de Fortaleza, que deferiu mais 16 mandados de prisão preventiva, mas os suspeitos não chegaram a ser localizados nas investigações.

Metade dos mandados de prisão (ou seja, 22) foi cumprida no sistema penitenciário - sendo 19 em presídios estaduais e três, em unidades federais de segurança máxima. Já a outra metade foi cumprida em Pacajus, Fortaleza, Boa Viagem, Quixeramobim, Ipu, Barreira, Limoeiro do Norte e Pacatuba, e 18 alvos foram presos e quatro estão foragidos.

As duas quadrilhas são suspeitas de tráfico de drogas, homicídios, ameaças e roubos, entre outros crimes. Segundo o membro do Gaeco, promotor Ronald Fontenele, a deflagração das operações "foi fruto de interceptações telefônicas, que começaram desde 2015, passando por 2016, em uma das investigações. Em outra investigação, se aprofundou e atualizou a situação do tráfico de drogas e das atuações de facções criminosas em Pacajus e Região Metropolitana de Fortaleza. Foram duas investigações, com objetos que convergiram para essa região e para esses crimes".

A Operação Saratoga/Pacajus é mais um desdobramento da 'Saratoga', deflagrada pelo Gaeco em dezembro de 2017, contra um braço do PCC na Capital, sediado no bairro Bom Jardim e liderado por Francisco Márcio Teixeira Perdigão. A partir dessa investigação, os promotores já chegaram a outras quadrilhas que atuam no Estado.

 

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