Acusado de matar irmãos que iam almoçar na casa da avó em Caucaia deve ir a júri popular
As vítimas foram mortas porque estavam em uma área dominada por um grupo criminoso rival do local de onde eles moravam.
O acusado de um dos muitos crimes bárbaros cometidos no contexto de disputa de facção criminosa no Ceará nos últimos anos deve sentar no banco dos réus em breve. Passados dois anos e meio do duplo homicídio que vitimou os dois irmãos, em uma rua do Distrito de Jurema, em Caucaia, o acusado João Paulo Sousa da Silva, conhecido como 'Careca', foi pronunciado pela Justiça Estadual.
'Careca' deve ser julgado pelo Tribunal do Júri Popular pelas mortes de Daniel Farias Carneiro Filho e Davi de Oliveira Farias Carneiro. Os irmãos de 15 e 22 anos estavam a caminho da casa da avó, para almoçar, quando foram assassinados a tiros.
As vítimas não tinham registros ou passagens pela Polícia. Segundo a acusação, elas foram mortas porque moravam em uma área comandada pelo Comando Vermelho (CV), na época facção rival à que predominava no local do ataque, que era a Massa/Tudo Neutro (TDN).
Eliana Oliveira, 43, mãe das vítimas, agora diz esperar que "ele pague pelo que fez, assim como quem comete qualquer ato contra a Lei. Peço a Deus que um dia ele se arrependa e tenha consciência do erro que ele cometeu".
"A gente crê que se isso aconteceu é porque Deus permitiu e que de certa forma teve algum propósito divino. No começo, eu não entendia. Hoje eu sei que acima de tudo devemos perdoar"
O Ministério Público do Ceará (MPCE) pediu a pronúncia do réu afirmando caber ao Tribunal do Júri "revolver com profundidade a prova coligida a fim de que ao fim decida ou não pelo decreto condenatório segundo a convicção íntima dos nobres jurados".
Veja também
O juiz da 1ª Vara Criminal da Comarca de Caucaia entendeu que João Paulo deve ir a julgamento e manteve a prisão do réu, "como garantia da ordem pública". A defesa do denunciado não foi localizada pela reportagem para comentar sobre a sentença de pronúncia.
LEVADOS A UMA CASA ABANDONADA
Em julho de 2023, um dia após o duplo assassinato, o Diário do Nordeste noticiou que o crime ocorreu após os jovens serem rendidos e interrogados por criminosos da região.
Instantes antes de serem baleados, os irmãos disseram à família que em breve desceriam da estação de trem, na Jurema, e seguiriam até a casa da avó. Assim foi feito.
As vítimas saíram da estação e começaram a caminhar até a casa da família. No trajeto, foram abordados por 'Careca' e um adolescente e levados até uma casa abandonada.
A mãe entrou em 'estado de choque' quando soube que os filhos tinham sido mortos: "eu estava no trabalho quando recebi a notícia", lembra.
A Polícia Civil passou a investigar o caso e chegou ao nome de João Paulo Sousa como um dos envolvidos na ação criminosa. Em agosto de 2023 o suspeito foi denunciado pelo MPCE, que pediu a prisão preventiva dele, e apontou que o acusado corrompeu um menor de idade para participar do ataque.
Nos dias seguintes, a Justiça aceitou a denúncia e decretou a prisão preventiva do réu. Quando capturado, 'Careca' disse integrar a facção 'Massa Carcerária', mas negou participar do duplo homicídio.
REPERCUSSÃO EM DOCUMENTÁRIO
O crime que vitimou os irmãos Daniel e Davi foi exposto no documentário 'Territórios: Sob o Domínio do Crime', disponível para assistir na Globoplay. A obra traz entrevistas de autoridades, a exemplo do atual secretário da SSPDS, Roberto Sá, e delegado-geral da PCCE, Márcio Gutierrez.