Acusado de matar dois jovens em aniversário de criança é preso em condomínio de luxo em Eusébio
O duplo homicídio ocorrido em novembro de 2017 teria sido motivado por conflito entre as facções criminosas CV e GDE.
Giuan Monteiro, o 'Miau', acusado pela morte de dois jovens que chegavam para um aniversário de criança no bairro Tancredo Neves, em Fortaleza, foi preso no último dia 31 de março em um condomínio de luxo em Eusébio, nove anos após o crime. O duplo homicídio ocorreu em novembro de 2017, em um contexto de disputa entre as facções rivais Comando Vermelho (CV) e Guardiões do Estado (GDE), e gerou uma extensa investigação da Polícia Civil do Ceará (PCCE).
Não há detalhes sobre a captura de 'Miau', apenas que ele foi encontrado em um condomínio de casas de luxo, no município do Eusébio. Ele é réu na Justiça do Ceará por dois homicídios qualificados, junto a outro acusado, Farlley José da Silva Magalhães, que já está preso desde janeiro de 2024, por porte ilegal de arma de fogo.
Ainda será decidido se a dupla vai ao Tribunal do Júri. Uma primeira audiência de instrução foi realizada em fevereiro, quando Giuan ainda estava em liberdade. No último dia 7 de abril, a 1ª Vara do Júri marcou, após a prisão do acusado, uma nova audiência para o próximo dia 13 de maio.
De acordo com documentos que o Diário do Nordeste obteve acesso, o paradeiro de 'Miau' permaneceu desconhecido por vários anos. Após a conclusão do inquérito policial e da denúncia do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) em 2022, cinco anos após o crime, ele não foi encontrado nos endereços conhecidos. A própria mãe chegou a dizer a um oficial de Justiça que não via o filho há mais de cinco anos.
O acusado só foi citado por meio de edital em maio de 2023. Mas, mesmo assim, não apareceu e nem designou uma defesa. Isso motivou um mandado de prisão preventiva, que chegou a ser revogado após a então companheira dele fornecer um endereço atualizado. Entretanto, ele novamente não foi localizado e a decisão do juiz foi reformada.
Por nota, a advogada Ivna Alencar, responsável pela defesa de Giuan, pontuou que o réu "é trabalhador e não responde e nem respondeu a nenhum delito em sua vida inteira", e pontuou que a instrução criminal do processo ainda não terminou.
"Sua inocência será devidamente comprovada e a Justiça será feita. A defesa está empenhada no deslinde do caso e na comprovação de que meu cliente jamais cometeu qualquer ilícito", afirmou a defesa.
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Retaliação por ataque a rivais
De acordo com a denúncia do MPCE, o duplo homicídio foi motivado por um ataque promovido por membros do CV contra a Comunidade Portelinha, à época reduto do GDE, no dia 17 de outubro de 2017, semanas antes do crime. As vítimas, Breno Alves de Sousa e Renato César de Lima, o 'Galinha', estariam envolvidas nesta ofensiva, conforme as investigações.
Os acusados cometeram o crime por motivo torpe, consistente na rivalidade entre facções criminosas. Os acusados utilizaram recurso que dificultou a defesa das vítimas, eis que foram surpreendidas pela rápida aproximação dos executores.
O duplo homicídio aconteceu no dia 12 de novembro daquele ano, por volta das 20h15, em frente à Escola Luíza Távora, onde ocorria um aniversário infantil. Os acusados desceram de um carro e efetuaram diversos disparos de arma de fogo, "em uma rápida aproximação", conforme descreve a denúncia.
O MPCE aponta que o possível alvo dos tiros era Edvan Alexandre, pai da criança que fazia o aniversário na escola. Ele era parceiro das vítimas e indicou o nome dos executores.
Uma terceira pessoa, identificada como Francisco Suetônio, o 'Sussu', deu suporte à ação como motorista do carro, mas faleceu e teve sua punibilidade extinta.
A investigação chegou ao nome de Giuan e Farlley após depoimentos de testemunhas e também pelo registro da tornozeleira eletrônica usada à época do crime por Farlley, que o colocou minutos após o crime na Rua José Leon, próximo ao local das mortes.