Acusado de matar bailarina é condenado a 12 anos de prisão

Após 22 anos e dois julgamentos, o Conselho de Sentença da 5ª Vara do Júri decidiu pela condenação do réu

Legenda: No primeiro julgamento, Wladimir Porto foi condenado, no segundo absolvido e, ontem, novamente considerado culpado
Foto: FOTO: GUSTAVO PELLIZZON (20/6/2008)

O acusado matar a bailarina Renata Maria Braga de Carvalho, no dia 28 de dezembro de 1993, na Avenida Beira-Mar, foi julgado, ontem, pela terceira vez. Por maioria de votos, o Júri, formado por duas mulheres e sete homens, decidiu pela condenação de Wladimir Lopes de Magalhães Porto. A pena de 12 anos e seis meses de prisão foi proferida pela juíza Valência de Sousa Aquino da 5ªVara do Júri.

Os jurados, após cerca de dez horas de julgamento, aceitaram a tese do Ministério Público do Ceará (MPCE) de homicídio simples. A juíza imputou a pena inicial de 15 anos de reclusão defesa, que foi reduzida em um sexto, totalizando 12 anos e seis meses. A defesa do réu recorreu da decisão e Wladimir Porto vai aguardar o resultado do recurso em liberdade.

A mãe da vítima, Oneide Braga, declarou que se sente envergonhada com a lentidão do processo. "A Justiça foi feita, mas ficamos muito tristes pela demora. O Judiciário deveria estar no banco dos réus também. A sensação é da mais completa vergonha. Depois de 22 anos, o assassino da minha filha foi contemplado com uma impunidade lamentável e injusta", desabafou.

O assistente de acusação do caso, advogado José Wilson Pinheiro, disse que a culpa e a responsabilidade de Wladimir Porto na morte da bailarina não pode ser negada. "Ele sabia da letalidade de sua arma, sabia que o porte de arma não lhe dava direito de atirar por aí como se estivesse no faroeste. Atirou para matar Gustavo, mas errou e acertou a bailarina. Ele encerrou uma vida promissora. Renata hoje poderia ser uma grande bailarina, ou uma boa profissional em outra área, mãe de família. Deus a mandou à Terra com um plano maior, mas Wladimir a mandou para debaixo do chão de um cemitério. Sepultou os sonhos dela e de sua família", afirmou.

O promotor de Justiça Franke Soares Rosa lembrou que este é o terceiro Júri a que Wladimir Porto é submetido e considerou isto uma falha do sistema, do qual faz parte o Tribunal do Júri. O primeiro julgamento do acusado aconteceu em 18 de fevereiro de 1997; o segundo aconteceu em 20 de junho de 2008. "Não havendo questionamentos sobre formalidades, este é último julgamento", ressaltou.

Réu

Durante seu depoimento no julgamento, o réu disse que não atirou para matar a jovem de 20 anos, queria apenas "repelir uma sensação de agressão". Porto repetiu que se sentiu ameaçado pelos ocupantes Jeep, que se aproximaram da Pajero que ele dirigia, após uma discussão no trânsito. O acusado afirmou que era licenciado pela Polícia Federal a portar arma de fogo.

Wladimir Porto contou que morava em Brasília e veio ao Estado com os familiares para uma festa de comemoração aos 25 anos de formatura do pai dele. "Minha mãe era enferma, paraplégica. Iríamos fazer uma viagem longa, de quase três mil quilômetros, com trechos bastante perigosos. Por conta disto, eu e meu irmão fizemos um curso prático de tiros e solicitamos o porte de arma", afirmou o réu à juíza.

O acusado de efetuar o disparo que matou a bailarina disse que atualmente mora em Brasília, é casado, pai de dois filhos, formado em Recursos Humanos e estudante de Direito. Porto disse que quer se responsabilizar pelo que aconteceu. "Não mirei na vítima em momento algum. Não foi para atingir ninguém, só para afastar. Esta foi uma tragédia que abateu duas famílias, a dela e a minha".

Violência

Perguntado pela magistrada se sabia o que tinha acontecido na vida dos outros ocupantes do Jeep e da mãe de Renata Braga, Porto disse que sabia da luta de Oneide Braga, em defesa de vítimas da violência e lamentou o ocorrido. "Quando cheguei à Delegacia fiquei sabendo que a Renata era uma bailarina de 20 anos, que estava no despertar da vida, florescendo. Isso tudo foi uma coisa lastimável. Qualquer pessoa sabe o peso esmagador de um processo criminal e de um encarceramento", afirmou.

Procurado pela reportagem, o advogado de defesa Clayton Marinho disse que estava cansado e não iria se pronunciar sobre a decisão.

Vida interrompida

Jovem foi morta quando voltava de uma festa

A bailarina cearense Renata Maria Braga de Carvalho morava no Rio de Janeiro, onde tentava consolidar sua carreira. Ela estava de férias em Fortaleza e voltava de uma festa em um bar na Praia de Iracema, quando foi ferida no olho, por um tiro disparado por Wladimir Porto

Márcia Feitosa
Repórter

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