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Sem favoritismo: Cidades do Interior do Ceará prometem disputas voto a voto nas eleições de 2026

Dados eleitorais de 2022 indicam territórios indefinidos para deputados federais. São locais onde alianças municipais e estratégias regionais devem ser decisivas neste ano.

Escrito por
Igor Cavalcante igor.cavalcante@svm.com.br
Imagem do Plenário da Câmara dos Deputados com parlamentares conversando. Na Mesa, o presidente da Casa, Hugo Motta.
Legenda: Disputa por vaga na Câmara dos Deputados promete ser acirrada no Ceará e domínio sobre bases no Interior deve ser decisivo na disputa.
Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Sem lideranças parlamentares amplamente dominantes e marcados por disputas decididas voto a voto, municípios do Interior do Ceará prometem ser estratégicos nas eleições de 2026. Em cenários onde poucas dezenas de votos separaram os candidatos mais votados em 2022, deputados devem travar novas disputas diretas por bases eleitorais ainda abertas.

Embora os maiores colégios eleitorais do Estado concentrem a atenção de partidos e lideranças pela capacidade de impulsionar mandatos legislativos quase de forma isolada, é no Interior que parte das disputas mais imprevisíveis se desenha. Em municípios de médio e pequeno porte, diferenças mínimas entre candidatos indicam a ausência de favoritismo claro.

Um levantamento realizado pelo PontoPoder reuniu dados eleitorais de 2022 e considerou o desempenho de candidatos à Câmara dos Deputados para mapear municípios onde poucos votos fizeram a diferença. Mais do que episódios pontuais, os números revelam territórios em aberto, onde diferentes lideranças estaduais disputam o mesmo eleitorado e as articulações locais tornam-se ainda mais decisivas.

Voto a voto

É o caso de municípios como São Benedito, Choró e Limoeiro do Norte, que registraram diferenças inferiores a 60 votos entre os dois candidatos mais votados para deputado federal em 2022.

Em São Benedito, a diferença foi de apenas 16 votos. O deputado federal Idilvan Alencar (PSB) superou AJ Albuquerque (PP) por 2.842 a 2.826 votos em um universo de pouco mais de 36 mil eleitores.

Em Choró, o cenário foi semelhante: Yury do Paredão (MDB) venceu Júnior Mano (PSB) por 22 votos, com 2.372 contra 2.350. À época, os dois eram correligionários no PL. No caso de Júnior Mano, havia ainda uma forte articulação com lideranças locais, como o ex-prefeito Marcondes Jucá e o ex-prefeito foragido Bebeto Queiroz.

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Já em Limoeiro do Norte, um dos maiores colégios eleitorais entre os casos analisados, Mauro Filho (União) obteve 6.263 votos, apenas 51 a mais que Dra. Mazé Maia, que somou 6.212. O município contava, naquele pleito, com cerca de 45 mil eleitores.

Outros colégios eleitorais reforçam esse padrão de equilíbrio. Em Abaiara, a diferença entre Eliane Braz (PSD) e André Figueiredo (PDT) foi de 65 votos. Em Potengi, Yury do Paredão superou Idilvan Alencar por 76 votos. Já em Martinópole, AJ Albuquerque ficou à frente de Robério Monteiro (PSB) por 83 votos.

Estratégias diferentes em busca da vitória

O contraste com os maiores colégios eleitorais do Estado é evidente. Em cidades como Fortaleza, Caucaia e Juazeiro do Norte, há candidatos que concentram votações expressivas, capazes de impulsionar, quase isoladamente, o desempenho nas urnas.

Na Capital, esse fenômeno se repete com frequência. A deputada federal Luizianne Lins (Rede), por exemplo, obteve 119.326 votos apenas em Fortaleza — de um total de 182.232 naquele pleito. Situação semelhante ocorreu com Célio Studart, que somou 107.542 votos na cidade, de um total de 205.106.

Já nomes como Idilvan Alencar, AJ Albuquerque e Júnior Mano, que protagonizaram disputas acirradas em municípios do Interior, registraram desempenhos mais modestos na Capital, com votações inferiores a 30 mil votos. 

Nesses casos, a estratégia passa pela pulverização do eleitorado em diferentes regiões do Estado. Em vez de concentrar votos em um único colégio eleitoral, esses parlamentares constroem bases distribuídas, o que garantiu a eles votações superiores a 150 mil votos no Ceará — no caso de Júnior Mano, acima de 215 mil.

Esse modelo reduz a previsibilidade dos resultados e amplia o peso de fatores como articulação política e alianças municipais.

O cenário para o pleito eleitoral deste ano ganha ainda mais relevância diante das mudanças partidárias ocorridas desde 2022, quanto PT e parte do PDT romperam uma aliança histórica no Ceará e alteraram o controle político em diferentes regiões do Estado. As eleições de 2026 serão as primeiras estaduais após a consolidação desse racha no grupo governista.

Se, em 2022, a ruptura mergulhou nomes até então aliados em um cenário de indefinição, o quadro passou a se consolidar — a nível municipal — a partir de 2024, com a oposição se estruturando em torno de siglas como União Brasil, PSDB e PL, enquanto a base governista manteve o PT como eixo e avançou sobre o PSB, que agora divide o protagonismo governista com os petistas.

Nesse novo arranjo, disputas locais tendem a ser ainda mais sensíveis a movimentos pontuais. Em cenários decididos por margens estreitas, o apoio de lideranças municipais — como prefeitos, vereadores e articuladores regionais — pode ser determinante para o resultado.

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