Reverendo convocado pela CPI da Covid apresenta atestado médico para não depor

O presidente da comissão determinou que Amilton Gomes de Paula passe por uma perícia da Junta Médica do Senado

Amilton Gomes de Paula
Legenda: O religioso teria recebido autorização do Ministério da Saúde para negociar a compra de 400 milhões de doses da Astrazeneca
Foto: reprodução/Facebook

Na segunda-feira (12), o reverendo Amilton Gomes de Paula encaminhou à CPI da Covid um atestado médico justificando a impossibilidade de comparecer à oitiva marcada para essa quarta-feira (14) no Senado Federal. 

O presidente da comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM), informou, inicialmente, que iria solicitar uma perícia no atestado médico apresentado pelo reverendo. No entanto, posteriormente ele aumentou a rigidez e solicitou uma perícia médica do reverendo.

A pedido da CPI, a Junta Médica do Senado Federal encaminhou um ofício ao religioso o convocando para comparecer nesta terça-feira (13), às 15h, para a realização de uma perícia médica presencial. O reverendo deve trazer toda a sua documentação relacionada ao caso, como exames laboratoriais e de imagem, além de relatórios médicos. 

Negociação de vacinas

Amilton Gomes de Paula, fundador da ONG Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários (Senah), entrou no radar da comissão pois teria recebido autorização do Ministério da Saúde para negociar a compra de 400 milhões de doses da Astrazeneca, através da empresa Davati Medical Supply. 

Essa autorização foi concedida por Laurício Monteiro Cruz, então diretor de imunização do Ministério da Saúde, exonerado do cargo na semana passada. 

O religioso também teria sido responsável por colocar em contato o policial militar Luiz Paulo Dominguetti, que buscava negociar as 400 milhões de doses da imunização, e representantes do Ministério da Saúde. 

O jornal Folha de S.Paulo publicou denúncia de Dominghetti na qual afirma ter recebido pedido de propina de US$ 1 por dose da vacina para avançar no ministério a negociação. A solicitação teria sido feita pelo ex-diretor de logística da pasta Roberto Ferreira Dias, exonerado da função no mesmo dia em que a reportagem foi publicada. 

Em depoimento à comissão, Dias confirmou que recebeu o reverendo Amilton Gomes de Paula em uma audiência no MS. O ex-diretor foi questionado inúmeras vezes sobre quem teria pedido-lhe para receber o reverendo, mas ele disse não se recordar. 

Senadores da comissão desconfiam que possa ter sido alguém próximo ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido_ ou mesmo o próprio chefe do Executivo. 

Novo cronograma

Omar Aziz afirmou, nesta terça-feira, que, caso o reverendo não possa comparecer ao plenário do Senado, a comissão deve ouvir o tenente-coronel Marcelo Blanco, ex-assessor do Ministério da Saúde, que, segundo o Dominguetti, participou do encontro em que integrantes da pasta teriam feito o pedido de propina em negociação para compra da AstraZeneca.

E, em consequência, o depoimento do representante da Davati Medical Supply, Cristiano Carvalho, que estava previsto para sexta-feira (16), seria antecipado para quinta-feira (15).  

Nesta terça-feira, prestar depoimento Emanuele Medrades, que é representante da Precisa Medicamentos.