Legislativo Judiciário Executivo

Ministro Dias Toffoli viajou em jato de empresa do Vorcaro, diz jornal

Toffoli teria usado aeronave particular para ir a resort no Paraná.

Escrito por
Redação producaodiario@svm.com.br
Foto do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Legenda: Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), usou jatinho de empresa ligada a Daniel Vorcaro.
Foto: Andressa Anholete/STF.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, viajou em um jato executivo da Prime Aviation, empresa que tinha como sócio o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A informação foi divulgada pelo jornal Folha de S. Paulo

A viagem ocorreu em 4 de julho de 2025. Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) apontam que o ministro entrou no terminal executivo do Aeroporto de Brasília às 10h daquela data, com destino a Marília (SP), cidade natal do ministro.

No mesmo dia, seguranças do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região foram deslocados para um resort em Ribeirão Claro (PR), a cerca de 150 quilômetros de Marília, para atender a uma autoridade. O estabelecimento seria frequentado pelo ministro. 

Os documentos demonstram ainda que Toffoli teve dez registros de entrada no terminal executivo do aeroporto, utilizado por aeronaves particulares, em 2025. 

Em cinco dos casos, as aeronaves utilizadas pelo ministro estavam registradas em nome de empresários. Foi possível identificar o avião usado em seis das ocasiões, já que não havia outros voos em horários próximos.

O gabinete de Dias Toffoli, o STF e a defesa de Daniel Vorcaro não se manifestaram sobre o caso. A relação entre o ministro e o empresário tem gerado repercussão, 

O ministro do STF Alexandre de Moraes e sua esposa, Viviane Barci de Moraes, teriam voado pelo menos oito vezes em jatos executivos de empresas de Daniel Vorcaro. A informação também foi revelada pelo jornal Folha de S. Paulo.

TOFFOLI SÓCIO DA MARIDT

Em fevereiro, Dias Toffoli divulgou nota pública em que admite que é sócio da Maridt, que vendeu sua participação em um resort no Paraná a fundos ligados ao banco Master, de Daniel Vorcaro. 

Ele negou qualquer relação pessoal ou financeira com Vorcaro, explicação necessária porque o ministro era relator do inquérito que apura a prática de fraudes financeiras no Master.

Veja também

Toffoli também aparece em um relatório da Polícia Federal que mostra conversas do empresário sobre supostos pagamentos direcionados ao magistrado.

Após a repercussão, o ministro saiu da relatoria do caso, que passou para André Mendonça

Investigação e prisão

Vorcaro foi preso no dia 4 deste mês durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela PF.

A investigação apura fraudes financeiras no Banco Master e uma tentativa de aquisição da instituição pelo Banco Regional de Brasília (BRB), vinculado ao Governo do Distrito Federal (GDF).

O ministro André Mendonça autorizou a prisão após pedido da PF, baseado em novos elementos que indicam que o banqueiro teria dado ordens diretas a outros investigados para intimidar jornalistas, ex-funcionários e empresários, além de ter tido acesso antecipado a informações sigilosas da apuração.

Vorcaro já havia sido preso em novembro do ano passado, enquanto tentava fugir para os Estados Unidos no mesmo dia em que o Banco Central anunciou a liquidação do Banco Master.

Dez dias depois, a Justiça resolveu liberá-lo juntamente com outros quatro sócios do antigo banco. Vorcaro foi impedido de sair do país, de exercer atividades no setor financeiro e de ter contato com outros investigados. 

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