Legislativo Judiciário Executivo

Entenda o papel e a escolha dos suplentes de senador no sistema político

Essas figuras fazem parte da chapa do parlamentar eleito e o substituem quando necessário.

Escrito por
Milenna Murta* e Beatriz Matos producaodiario@svm.com.br
Imagem aérea do interior de um plenário, com mesas de madeira e chão azul.
Legenda: Eles exercem as mesmas funções designadas aos senadores.
Foto: Jonas Pereira/Agência Senado.

O eleitorado brasileiro irá às urnas este ano para renovar, entre outros cargos, dois terços das cadeiras do Senado Federal, elegendo dois novos parlamentares por unidade federativa. Ao final do pleito, haverá dois suplentes estabelecidos para cada um dos 54 parlamentares eleitos.

Este é o único cargo legislativo em que a figura do suplente já está definida no resultado das eleições, de maneira similar aos vices eleitos para as funções executivas.

O suplente de senador é quem substitui o parlamentar eleito durante o mandato, podendo estar na posição temporariamente ou assumir o cargo de maneira definitiva, a depender de qual seja a circunstância vivida pelo político que detém a função.

Enquanto estiver apenas como suplente, o político não possui gabinete, remuneração ou verbas indenizatórias, sendo apenas uma espécie de “cadastro de reserva” para a vaga. Ao assumir, entretanto, ele passa a ter as mesmas funções de um senador.

Confira, a seguir, os motivos que podem levar o suplente a assumir a cadeira no Senado:

  • Perda de mandato do senador eleito;
  • Falecimento ou renúncia do senador eleito;
  • Licenças do senador eleito por um período superior a 120 dias;
  • Afastamento do senador eleito para cumprir outros cargos, como no Poder Executivo, em Ministérios, Secretarias ou missões diplomáticas.

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Esses parlamentares estão inseridos dentro da chapa do senador eleito. Guilherme Barcelos, doutor em Direito Político, explica que sua escolha para compor a candidatura pode se dar por critérios variados, "desde peso político, até outras questões estratégicas, como a capacidade de angariar recursos financeiros para a campanha".

Seguindo a ordem previamente definida no período eleitoral, o político que primeiro assume a cadeira no lugar do parlamentar efetivado é o primeiro suplente. Caso haja motivos que o impossibilitem de exercer os trabalhos no Congresso, chama-se o segundo suplente.

Se ainda restar mais de 15 meses de mandato e não for possível que qualquer um dos três políticos atue na Casa, uma nova eleição para a vaga específica deve ser marcada.

Quem são os suplentes de senador cearenses?

Os suplentes são definidos ainda no lançamento da candidatura das figuras políticas ao cargo de senador, e seguem os mesmos requisitos da vaga principal, ou seja, ter:

  • 35 anos ou mais;
  • Nacionalidade brasileira;
  • Pleno exercício dos direitos políticos;
  • Domicílio eleitoral na unidade federativa que irá representar.

O professor de Relações Internacionais do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais do Rio de Janeiro (Ibmec-Rio), Leonardo Paz, explica que, além dessas características, há o perfil do suplente, uma circunstância variável em cada chapa.

Existem casos, por exemplo, você tem um senador que tem um perfil político popular e consegue capitalizar os votos, e o suplente acaba tendo um perfil mais técnico, não tão popular, não tão carismático, que talvez tivesse mais dificuldade em agregar tantos votos
Leonardo Paz
Professor do Ibmec-Rio

Ele ainda explica que, em sua maioria, essas figuras tendem a ser mais discretas e, quando assumem, passam a representar o parlamentar primeiramente eleito. "Qualquer crise que envolva o suplente sempre respinga um pouco na imagem do titular.[...] As pessoas não prestam atenção em quem é o suplente. Ele fica um pouco invisível nesse contexto", explica.

No estado do Ceará, há um total de seis suplentes de senadores. A suplente Augusta Brito (PT) chegou a exercer o cargo entre 2023 e 2026, substituindo Camilo Santana (PT), que estava afastado desde o início do mandato para atuar no Ministério da Educação (MEC). O senador, no entanto, já retomou suas funções no parlamento.

Janaína Farias (PT), segunda suplente do ministro, também chegou a assumir as funções legislativas por um breve período em 2024, quando a então senadora Augusta se licenciou.

Os outros dois senadores, que ocupam as cadeiras da Casa desde 2019, são Cid Gomes (PSB), cotado para uma possível candidatura à reeleição no pleito de 2026, e Eduardo Girão (Novo). Ambos os parlamentares encerram os mandatos ao final deste ano.

Veja como está estabelecida a divisão dos suplentes:

Cid Gomes (PSB)

  1. Prisco Bezerra 
  2. Júlio Ventura 

Eduardo Girão (Novo)

  1. Sargento Reginaldo (União)
  2. Dr. Guimarães 

Camilo Santana (PT)

  1. Augusta Brito (PT)
  2. Janaína Farias (PT)

Eleições 2026

O pleito geral de 2026 está com data marcada para outubro e irá renovar os cargos de Deputado Estadual ou Distrital, Deputado Federal, Senador (primeira e segunda vaga), Governador e Presidente.

Os brasileiros alfabetizados que tenham entre 18 e 70 anos possuem a obrigação de ir às urnas para exercer o voto. Conforme o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), emissões, transferências e regularizações do título de eleitor devem ser solicitadas até o dia 6 de maio.

Além do atendimento online, através da plataforma Título Net, a população de Fortaleza pode resolver essas pendências presencialmente no Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) ou em uma unidade do Vapt Vupt, ambos mediante agendamento.

Confira os locais de atendimento em Fortaleza: 

Principais datas do calendário eleitoral:

  • 5 de março a 3 de abril: período de janela partidária;
  • 6 de maio: último dia para solicitar emissão, transferência ou regulamentação do título de eleitor;
  • 16 de agosto: início do período de propaganda eleitoral, tanto nas ruas como nas mídias tradicionais e digitais;
  • 4 de outubro: primeiro turno das eleições;
  • 25 de outubro: segundo turno das eleições.

*Estagiária sob supervisão da jornalista Jéssica Welma.

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