Após bate-boca entre Ciro e Dilma, bancada cearense do PT na Câmara se divide sobre ruptura com PDT

Uma parte dos integrantes da sigla no Ceará defende que partido comande chapa na disputa pelo Governo do Estado

Bancada cearense do PT na Câmara
Legenda: Bancada cearense do PT na Câmara
Foto: Divulgação

As tentativas de manutenção da aliança entre PDT e PT no Ceará sofreram um novo golpe. Nesta quarta-feira (13), a ex-presidente da República Dilma Rousseff (PT) reagiu a ataques do ex-ministro Ciro Gomes (PDT), o que resultou em um bate-boca entre os dois. No Estado, integrantes do PT têm avaliações diferentes sobre como a sigla deve reagir ao episódio. 

O deputado federal José Airton Cirilo (PT), defensor de uma candidatura própria do PT para o Governo do Ceará em 2022, demonstrou indignação com as falas de Ciro. "Hoje (quarta-feira) mesmo vou sugerir uma nota de desagravo do PT Ceará a Lula, Dilma e Haddad, todos que foram atacados pelos mosqueteiros do PDT, os irmãos Ferreira Gomes", disse. 

O parlamentar ainda criticou a conduta do partido no Ceará e cobrou uma mudança de postura diante do episódio. "O PT do Ceará, seus dirigentes, precisa ter um mínimo de vergonha para não aceitar esse tipo de coisa e não ficar submisso", afirmou.

"Estão submetendo o PT a uma situação vexatória, desrespeitosa e constrangedora, não dá para continuar assim. Estamos no limite da ruptura, eles (PDT) já declararam que estão rompidos, o PT agora precisa escolher não continuar rastejando", acrescentou. 

Candidatura própria

Também defensora da candidatura própria do PT ao Governo, Luizianne Lins (PT) disse que as falas de Ciro servem para reforçar sua tese. 

“Não vamos aceitar nenhum ataque que seja feito ao presidente Lula no Ceará.  Todos serão respondidos. Por isso, defendemos a candidatura própria do partido no nosso Estado e a consolidação de um palanque forte e leal que garanta a eleição de Lula. O PT não pode ser coadjuvante de um projeto quando tem nomes importantes e com viabilidade eleitoral  comprovada”, argumentou.

PT-PDT

Vice-presidente nacional do PT, o deputado federal José Guimarães (PT) adotou uma postura mais conciliadora. Nas redes sociais, ele publicou nota em que defende a honestidade da ex-presidente Dilma.

O petista ressaltou que Ciro tem direito a ser candidato, mas ponderou: "ele não pode falsear a verdade. Essa é uma fala tão estapafúrdia que só pode ser fake news. Nosso compromisso sempre será com a verdade", concluiu.

Bate-boca

A rusga entre Ciro e Dilma começou quando o pedetista disse que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria arquitetado o impeachment da correligionária em 2016. A petista reagiu e disse que o ex-ministro "mente de maneira descarada”.

Logo em seguida, Ciro voltou a atacar a ex-presidente. "Na vida nunca menti. Mas errei algumas vezes. Uma delas quando lutei contra o impeachment de uma das pessoas mais incompetentes, inapetentes e presunçosas que já passaram pela presidência. Claro, que estou falando de você, Dilma", conclui. 

Em resposta, Dilma disse que iria encerrar a polêmica. "Só Ciro é competente. Este é o pecado de sua enorme presunção. Esta é a sua visão quando se trata de avaliar o resto da humanidade. Mas quando se trata de mulher, sua visão não é só inadequada, é também profundamente misógina", finalizou.

 

 


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