Pazuello pode ir para reserva do Exército após participar de ato em apoio a Bolsonaro no Rio

O general infringiu regulamento do exército e decretos de prevenção à Covid-19

Escrito por Redação,

Política
General da Ativa Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde
Legenda: Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde e general da ativa, participou de aglomeração com o presidente e seus apoiadores
Foto: Agência Brasil

O general Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde, pode ser enviado a reserva após participar de aglomeração com o presidente Jair Bolsonaro, neste domingo (23), no Rio de Janeiro. A possível 'punição' de Pazuello foi levantada pelo jornal O Globo. 

Segundo o jornal, o general deve ser pressionado a pedir para ir à reserva e, caso não o faça, pode ser mandado pelo alto comando. A situação teria dividido opinião entre os militares, com algum deles defendendo a abertura de um processo disciplinar.

Pazuello desrespeitou o Regulamento Disciplinar do Exército, que proíbe militares da ativa de se manifestarem publicamente a respeito de assuntos político-partidários sem estarem autorizados. 

A decisão deve ser tomada pelo comandante Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira. Militares da reserva e da ativa avaliam que a transgressão impactou negativamente na imagem do Exército. O general Chagas afirmou ao jornal que a participação pode ser uma estratégia do ex-ministro.

"Caso não seja punido, será péssimo para a imagem do Exército Brasileiro e principalmente para a do Comandante do Exército. O general Pazuello, ouvi dizer, pretende candidatar-se ao governo do Estado do Amazonas. Aparentemente, pode-se dizer que esteja usando a mesma estratégia do então capitão Bolsonaro", disse ao O Globo. 

O ex-ministro também infringiu decretos em vigor no Rio de Janeiro, que obrigam o uso de máscara de proteção em todos os locais públicos, proíbem eventos em locais públicos e determinam o distanciamento mínimo de 1,5 m. Pazuello estava sem máscara, assim como Jair Bolsonaro e a maioria dos presentes na aglomeração.

A Prefeitura do Rio de Janeiro estima que participaram do evento de 10 mil a 15 mil pessoas.  A manifestação foi convocada por apoiadores do chefe do executivo nacional.

Motociclistas

O passeio começou pouco depois das 10h, mas desde às 8h apoiadores já se concentravam no Parque Olímpico da Barra, local onde o ato iniciou. Bolsonaro chegou de helicóptero por volta das 9h30. 

Ao todo, mil policiais militares de quatro batalhões do Rio atuam no esquema de segurança. Até as 10h25, apesar dos reflexos no trânsito, nenhum incidente havia sido registrado. O uso de máscaras entre os milhares de presentes era pouco comum. A maioria deixou de lado a proteção.

No dia 10 de maio, o presidente já havia realizado um passeio de moto pela periferia do Distrito Federal, durante o qual também desrespeitou as regras sanitárias. O mesmo ocorreu no dia 9 de maio, também em Brasília, em novo trajeto com centenas de motoqueiros.

Apoiadores acompanharam o presidente durante todo o trajeto
Legenda: Apoiadores acompanharam o presidente durante todo o trajeto
Foto: Carl de Souza/AFP

Na última sexta-feira (21), o Governo do Maranhão autuou Bolsonaro por gerar aglomeração com mais de cem pessoas sem controle sanitário e por não usar máscara em evento em Açailândia (a 560 km de São Luís).

Médicos e especialistas da saúde têm alertado sobre a possibilidade de uma terceira onda da pandemia no Brasil. A cidade do Rio está neste momento com 95% dos leitos de UTI públicos ocupados.

Reconvocado à CPI da Covid-19

O ex-ministro Pazuello prestou depoimento na quarta (19) e quinta-feira (20) na CPI e falou sobre sua atuação na Saúde. O senador Omar Aziz (PSD-AM), que é presidente da Comissão declarou, neste sábado (22), que o geral será reconduzido a falar novamente aos senadores na CPI.

Isso porque, segundo o presidente, Pazuello teria "mentido" aos parlamentares durante os esclarecimentos. Para Omar, o habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal ao general seria outro elemento que justificaria a nova convocação.

Na condição de testemunha, os depoentes não podem mentir à comissão sob risco de serem presos. Com o habeas corpus concedido pelo STF, Pazuello não correu esse risco durante o depoimento.