Mãe de Miguel pede em carta punição de ex-patroa: 'a aplicação de uma pena abrandará meu sofrimento'

A doméstica Mirtes Renata Santana escreveu a mensagem para a ex-patroa Sari Corte Real, que estava com o menino de 5 anos momentos antes dele pegar o elevador e subir sozinho para o 9º andar do prédio, de onde caiu e morreu, no Recife

A vaquinha foi criada por amigos de Mirtes Renata em um grupo de corredores.
Legenda: Mirtes havia descido do apartamento para passear com os cachorros da patroa
Foto: Reprodução/TV Globo

A doméstica Mirtes Renata Santana, mãe do menino Miguel, de 5 anos, morto no último dia 2 de junho ao cair do 9º andar de um prédio no Recife escreveu, nesta quarta-feira (10) uma carta para a ex-patroa Sari Corte Real, esposa do prefeito de Tamandaré, Sérgio Hacker (PSB). "Eu não recebi qualquer pedido de desculpas", disse a mãe do menino em resposta a um texto que a primeira-dama havia divulgado, pelo advogado, pedindo perdão a Mirtes.

"Perdoar pressupõe punição; do contrário, não há perdão, senão condescendência. A aplicação de uma pena será libertadora, abrandará o meu sofrimento, permitirá o meu recomeço e abrirá espaço para o que foi pedido: perdão. Antes disso, perdoar seria matar o Miguel novamente", afirmou a mãe do menino no texto, que foi escrito com auxílio de um advogado.

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Na mensagem, Mirtes afirmou ainda que a carta divulgada por Sair não foi direcionada a ela. "A carta de perdão foi dirigida à imprensa, o que me faz pensar que eu não era destinatária, mas sim a opinião pública com a qual ela se preocupa por mera vaidade e por ser esse um ano de eleição", afirmou.

No texto, escrito com o auxílio de um advogado, Mirtes contou não ter rancor, mas, sim, saudade do filho. "Eu não tenho forças neste momento, não tenho chão. Não tenho vida!", declarou.

Ela aproveitou ainda para desabafar sobre como está a vida desde que perdeu o filho. "O sentido da vida de quem é mãe passa pelo cheiro do cabelo do filho ao acordar, pelo sorriso nas suas brincadeiras, pelo 'mamãe' quando precisa do colo e do abrigo de quem o trouxe ao mundo. Uma mãe, sem seu filho, sofre uma crise, não apenas de identidade, como também de existência. Quem sou eu sem Miguel? Ela tirou de mim o meu neguinho, minha vida, por quem eu trabalhava e acordava todos os dias", finaliza.

Veja a íntegra da carta

"SOBRE O PERDÃO PEDIDO POR SARI"

Eu não recebi qualquer pedido de desculpas. A carta de perdão foi dirigida à imprensa, o que me faz pensar que eu não era destinatária, mas sim a opinião pública com a qual ela se preocupa por mera vaidade e por ser esse um ano de eleição.

Eu não tenho rancor. Tenho saudade do meu filho. O sentido da vida de quem é mãe passa pelo cheiro do cabelo do filho ao acordar, pelo sorriso nas suas brincadeiras, pelo “mamãe” quando precisa do colo e do abrigo de quem o trouxe ao mundo. Uma mãe, sem seu filho, sofre uma crise, não apenas de identidade, como também de existência. Quem sou eu sem Miguel? Ela tirou de mim o meu neguinho, minha vida, por quem eu trabalhava e acordava todos os dias.

Quando eu grito que quero justiça, isso significa que eu preciso que alguém assuma a minha dor, lute minha luta, seja o destilado da cólera que eu não quero e nem posso ser. Eu não tenho forças neste momento, não tenho chão. Não tenho vida!

Após poucos dias é desumano cobrar perdão de uma mãe que perdeu o filho dessa forma tão desprezível. Afinal, sabemos que ela não trataria assim o filho de uma amiga. Ela agiu assim com o meu filho, como se ele tivesse menos valor, como se ele pudesse sofrer qualquer tipo de violência por ser “filho da empregada”.


Perdoar pressupõe punição; do contrário, não há perdão, senão condescendência. A aplicação de uma pena será libertadora, abrandará o meu sofrimento, permitirá o meu recomeço e abrirá espaço para o que foi pedido: perdão. Antes disso, perdoar seria matar o Miguel novamente. Mirtes, mãe de Miguel (carta escrita com auxílio do advogado constituído)"

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