O que Ciro e Elmano vão olhar com uma lupa na nova pesquisa Quaest

Campanha formal vai testar potenciais e fragilidades dos dois principais nomes até aqui

Escrito por
Inácio Aguiar inacio.aguiar@svm.com.br
(Atualizado às 10:35)
Legenda: Eleição caminha para um confronto direto entre os dois mais bem colocados até aqui
Foto: Montagem

Os números da segunda rodada da pesquisa Genial/Quaest, divulgados nesta quinta-feira (30), encerram o ciclo de pré-campanha com desenho semelhante ao de três meses atrás: Ciro Gomes na frente, o governador Elmano de Freitas em segundo e Eduardo Girão sem demonstrar força para ameaçar os dois primeiros. Mas há números a serem observados pelos principais concorrentes.

Na rodada de abril, Ciro tinha 41% e Elmano, 32%. As variações de dois e de um ponto percentual estão dentro da margem de erro, de três pontos para mais ou para menos. Em resumo: não houve mudança para além da margem. O que houve foi estabilidade, e isso é ativo de quem lidera, no caso, Ciro Gomes.

O levantamento ouviu 1.002 eleitores entre 24 e 28 de julho, está registrado no TSE sob o número CE-09277/2026 e foi contratado pela Genial Investimentos.

O peso do trimestre

A ausência de movimentação entre os candidatos para além da margem de erro em três meses não deixa de surpreender, porque não foram poucos os episódios que poderiam ter alterado o humor do eleitor. Houve lançamento de candidaturas, fatos relevantes no cenário estadual e acirramento entre as forças políticas.

Detalhe: a pesquisa foi a campo na mesma semana das convenções estaduais, mas ainda sem o tabuleiro fechado.

A lupa de Elmano

Há, porém, um número que o time governista vai ler com atenção. Na pesquisa espontânea, aquela em que o entrevistador não apresenta a lista de nomes, Ciro tem 15% e Elmano, 13% — um empate técnico. Com um agravante: os indecisos chegam a 70%. Ou seja, boa parte do eleitorado ainda não está olhando para a eleição.

A espontânea mede lembrança e adesão ativa, diferentemente do cenário estimulado. O que ela pode sugerir é que a vantagem tucana ainda não é definitiva.

Na mesma direção aponta o grau de convicção do voto. Entre os eleitores de Elmano, 65% dizem que a escolha é definitiva. Entre os de Ciro, 56%. O petista tem percentual menor de votos, mas o apoio parece estar mais seguro.

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A observação de Ciro

Para Ciro, além da liderança, há outros números relevantes a serem lidos. Na estratificação por faixa etária, gênero, escolaridade e renda, ele se mantém à frente em todos os recortes.

Outro ponto a ser observado é a rejeição. Embora o governador tenha reduzido seu índice de 42% para 39%, ele segue como o nome mais rejeitado da disputa. Ciro tem 32%, praticamente o mesmo patamar de abril, quando marcava 33%.

Em simulação de segundo turno, Ciro tem 48% e Elmano, 35%. Em abril, eram 46% e 35% — uma variação positiva, porém dentro da margem de erro. O tucano, portanto, avança no confronto direto.

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O que vem pela frente

A pré-campanha terminou sem sinais de erosão para Ciro Gomes, segundo a Quaest. A campanha oficial, entretanto, altera as variáveis: entram o horário eleitoral gratuito, o tamanho comparativo das coligações e a máquina administrativa, que está com o governador.

Elmano de Freitas chega ao início da propaganda com um terço das intenções de voto e a maior rejeição da disputa. Ciro Gomes chega com dez pontos de vantagem e um eleitorado menos consolidado que o do adversário.

A campanha vai testar as fragilidades e os potenciais de ambos.

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