Como será a primeira eleição desde a década de 1980 com os Ferreira Gomes em chapas opostas

Cid e Ciro Gomes vão travar, nas urnas, uma batalha por votos pela primeira vez em lados opostos

Escrito por
Inácio Aguiar inacio.aguiar@svm.com.br
Legenda: O próximo governo terá, inevitavelmente, a influência de um dos irmãos
Foto: Montagem

Os irmãos Ciro e Cid Gomes, que surgiram na política estadual no fim da década de 1980, estarão, em 2026, pela primeira vez em chapas opostas em uma eleição no Ceará. Ciro será candidato a governador pela oposição; Cid, à reeleição ao Senado na chapa governista de Elmano de Freitas (PT), conforme anunciado nesta terça-feira (14). 

Os Ferreira Gomes construíram um grupo e uma forma de fazer política que marcaram o Ceará na era pós-Tasso Jereissati. O método segue em funcionamento até hoje, agora liderado pelo PT do governador Elmano e do senador Camilo Santana. O modelo de gestão criado pelos irmãos projetou novos nomes na política cearense, mas quase custou o protagonismo de seus criadores. 

A sentença de 2022 

Em 2022, após o rompimento entre PT e PDT, Ciro e Cid se afastaram. A vitória de Elmano e Camilo no primeiro turno, a derrota de Ciro na eleição presidencial, com resultado pífio, e o recolhimento de Cid naquele momento produziram uma sentença repetida à exaustão no meio político: "acabou a era Ferreira Gomes". 

Quatro anos depois, a realidade cobrou uma revisão do diagnóstico. 

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A volta ao centro 

Desde então, fatores de conjuntura recolocaram os irmãos em evidência na disputa, embora em lados opostos. Ciro se tornou o único nome viável para a oposição ao PT no Ceará, com capacidade de unir forças como PL, União Brasil e PSDB em torno de sua pré-candidatura.  

Cid, por sua vez, acaba de vencer uma batalha interna no grupo governista: foi, ao mesmo tempo, a maior dificuldade e o principal personagem para a resolução da aliança que sustentará o projeto de reeleição de Elmano. 

Esta Coluna antecipou, ainda no fim de maio, que o senador havia sinalizado a disposição de concorrer mediante condicionantes, impasse que só foi resolvido nesta semana, com aval do presidente Lula e a indicação do deputado federal Júnior Mano (PSB) para a primeira suplência.

O dia seguinte

O desenho da disputa produz uma constatação que independe das urnas: o próximo governo do Ceará terá forte influência dos Ferreira Gomes.

O que está em jogo em 2026, portanto, não é o fim ou a sobrevivência da era Ferreira Gomes, mas qual dos dois irmãos dará a direção. 

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