Aliados relatam afastamento de Cid e temem mais atrasos nas negociações eleitorais

Senador estaria incomunicável em seu sítio na Serra da Meruoca, na reta final da definição da chapa majoritária governista

Escrito por
Inácio Aguiar inacio.aguiar@svm.com.br
Legenda: Elmano de Freitas segue recebendo aliados para definições, mas a negociação com Cid impede avanços
Foto: Fabiane de Paula

O senador Cid Gomes (PSB) está incomunicável. Segundo apurou esta Coluna junto a aliados do parlamentar, ele se recolheu, nos últimos dias, ao sítio na Serra da Meruoca, refúgio habitual em momentos de crise, e não tem respondido às tentativas de contato. A postura, pelo menos por enquanto, deixa em compasso de espera as tratativas para a formação da chapa majoritária governista no Ceará. 

O PSB é, hoje, o ponto mais sensível da costura da aliança que terá o governador Elmano de Freitas (PT) como candidato à reeleição. As negociações com os demais partidos da base dependem, em grande medida, das definições que passam pelas tratativas do governador e de Camilo com o senador. 

Condições na mesa 

O comando do grupo governista quer Cid candidato ao Senado. O próprio parlamentar já sinalizou que pode aceitar a missão, mas apresentou condições, conforme antecipou esta Coluna. Uma delas envolve diretamente o deputado federal Júnior Mano (PSB), que está no centro desta negociação: o parlamentar tem de Cid o compromisso de defesa do seu nome para uma das vagas ao Senado. 

Entretanto, há outras questões em jogo e é justamente a complexidade do tabuleiro que torna o silêncio do senador mais custoso neste momento. Elmano, em declaração a esta coluna no fim de maio, afirmou que gostaria de antecipar a composição da chapa majoritária tendo como parâmetro o prazo das convenções, que começa em 20 de julho. A articulação está demorando mais do que o esperado.

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O precedente de 2022 

Aliados temem que o novo retiro sabático de Cid comprometa o avanço das conversas e acabe prejudicando não apenas os candidatos majoritários, mas também os proporcionais, que precisam de definições para organizar palanques e composições regionais. 

O temor está vivo na memória. Em 2022, ano do rompimento entre PT e PDT, diante do impasse envolvendo Ciro Gomes, Roberto Cláudio, Camilo Santana e Izolda Cela, Cid tomou exatamente a mesma atitude: recolheu-se e sumiu do mapa.  

A avaliação do próprio senador, inclusive, e de quem esteve ao seu lado, é que o afastamento daquele momento prejudicou todo o grupo político ligado a ele. O tom dos aliados não é de desespero, mas de apreensão.

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