Meta, prêmio e castigo

O problema está, essencialmente, no gerenciamento das equipes para o atingimento das metas traçadas

Escrito por
Valdélio Muniz producaodiario@svm.com.br
Jornalista
Legenda: Jornalista

Cada vez mais tem sido comum em empresas privadas e órgãos públicos a fixação de metas para as equipes de trabalho. Até aqui, nada anormal. Trata-se de medida peculiar aos planejamentos estratégicos institucionais. E é importante que todos saibam a missão e os valores das organizações onde trabalham e aonde se quer chegar a médio e longo prazo, quando se pressupõe a continuidade do empreendimento e dos postos de trabalho.

O problema está, essencialmente, no gerenciamento das equipes para o atingimento das metas traçadas. Em muitos casos, começa que a definição das metas não costuma se dar num processo participativo. São muitas vezes impostas dos mais altos escalões para cumprimento pelas instâncias intermediárias e inferiores e, o pior, a qualquer custo.

Quando a exigência de metas se dá sem o mínimo de adequação aos perfis das equipes (diz-se que as equipes devem se adequar a elas, como se lidar com pessoas fosse ciência exata e alheia a circunstâncias variáveis e até determinantes) e às próprias condições de trabalho ofertadas, nem adianta oferecer prêmios. Eles podem se converter em graves castigos em forma de adoecimento (físico ou mental).

Entre a instância que fixa as metas e aquelas intermediárias e finais há pessoas com diferentes pontos de vistas, graus de vaidade e estilos de gestão. Alguns (para não dizer diversos) “líderes” tendem a não limitar os meios adotados para atingir os fins propostos. Daí, surgem tensões, pressões e assédio moral. E com eles, ansiedade, depressão, crises gastrointestinais, enxaquecas frequentes e “sem razão aparente”, queda de unhas e de cabelo, insônia, problemas musculares ou mesmo apatia e perda de sentido no trabalho.

É, portanto, essencial que o clima organizacional seja objeto constante de monitoramento não no sentido da vigilância excessiva e da invasão da privacidade e da intimidade do trabalhador, mas de verificar os riscos psicossociais no meio ambiente de trabalho, corrigir eventuais distorções e primar, sempre, pela saúde integral do patrimônio que deve ser sempre valorizado: os seres humanos que fazem a instituição. Parece óbvio, mas os dados oficiais de adoecimento laboral indicam que essa lição ainda não foi devidamente assimilada. E a conta termina afetando a todos: trabalhadores e familiares, empresas e governo (previdência social).

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