A evolução da manobra de baliza na avaliação prática de condutores

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Alisson Maia producaodiario@svm.com.br
Alisson Maia
Legenda: Alisson Maia é vice-presidente do Sindicato das Autoescolas

A manobra de baliza sempre ocupou posição central na avaliação prática de condutores. Embora seja comumente associada ao uso de cones ou estruturas físicas específicas, sua essência técnica vai muito além desses elementos. Sob a perspectiva da engenharia de tráfego, a baliza não é um equipamento ou cenário fixo, mas uma metodologia de avaliação do estacionamento em espaço delimitado, destinada a verificar o controle espacial e operacional do veículo..

Desde os primeiros modelos de exame prático, a manobra foi concebida como instrumento pedagógico e técnico para medir a capacidade do candidato de perceber distâncias, ajustar trajetórias, controlar o esterçamento e administrar a velocidade com precisão. Essas habilidades refletem situações rotineiras do trânsito urbano, como estacionar em vagas reduzidas e manobrar em espaços confinados. 

Ao longo do tempo, os métodos de execução dessa manobra passaram por adaptações motivadas por padronização, evolução normativa e atualização pedagógica. A substituição de dispositivos físicos, como cones, por demarcações horizontais no pavimento é um exemplo desse processo de modernização que, do ponto de vista técnico, não modifica a natureza da avaliação, pois a competência exigida permanece a mesma. 

Essa evolução acompanha uma tendência mais ampla na engenharia de tráfego e na formação de condutores: aproximar as avaliações das condições reais de circulação. A baliza continua sendo um parâmetro relevante para aferir domínio veicular, percepção espacial e coordenação motora, atributos diretamente relacionados à prevenção de colisões de baixa velocidade e conflitos em áreas urbanas densas.

Para que cumpra sua função técnica e pedagógica, a avaliação deve manter caráter eliminatório quando o candidato não demonstra destreza suficiente. Falhas no controle da trajetória, falta de precisão ou execução excessivamente lenta indicam limitações que, no trânsito real, podem gerar riscos à segurança viária e interferências no fluxo. 

O princípio permanece inalterado: garantir que o ingresso no trânsito ocorra com níveis mínimos de habilidade compatíveis com a segurança, a eficiência e a preservação da ordem viária.

 Alisson Maia é vice-presidente do Sindicato das Autoescolas do Ceará

Professor aposentado da UFC
Gonzaga Mota
13 de Fevereiro de 2026