O preço do excesso de telas e o transplante de córnea

Escrito por
Marineuza Rocha producaodiario@svm.com.br
Marineuza Rocha é médica
Legenda: Marineuza Rocha é médica

Mais de dez mil doações de córneas foram realizadas em uma década. Esse é o marco alcançado pelo Banco de Olhos do Ceará (BOC). Um número que simboliza mais do que estatística, representa autonomia devolvida, rotinas retomadas e a força da doação transformando vidas. Cada procedimento carrega uma história de recomeço, mas também reforça a importância da prevenção e do cuidado contínuo com a saúde ocular.

Em paralelo, o Instituto Banco de Olhos do Ceará (IBOC) tem chamado atenção para um fator cada vez mais presente na vida contemporânea, o uso excessivo de telas. Celulares, computadores e tablets se tornaram ferramentas indispensáveis de trabalho, estudo e lazer. O problema não está na tecnologia em si, mas na forma e no tempo de exposição. Em um cenário em que crianças, adolescentes e adultos passam horas conectados diariamente, a atenção à saúde dos olhos precisa acompanhar essa transformação digital.

Entre as principais queixas associadas ao excesso de telas está a chamada síndrome da visão digital. Ardência, sensação de areia nos olhos, visão embaçada, dor de cabeça e fadiga ocular são sintomas frequentes. Ao fixar o olhar por longos períodos em objetos próximos, reduzimos a frequência do piscar. A lágrima evapora mais rapidamente, a superfície ocular resseca e o desconforto se intensifica.

Uma medida prática e eficaz recomendada por especialistas é a regra 20-20-20: a cada 20 minutos diante da tela, olhar para algo a cerca de 20 pés (aproximadamente 6 metros) por 20 segundos. A pausa ajuda a relaxar a musculatura ocular e estimula o piscar, contribuindo para a lubrificação natural dos olhos. Pequenas mudanças de hábito podem gerar grande impacto a longo prazo.

É fundamental esclarecer que o transplante de córnea não é consequência direta do uso de telas. No entanto, o excesso pode agravar condições pré-existentes ou retardar o diagnóstico de doenças oculares. Quando os sintomas são atribuídos apenas ao “cansaço digital”, quadros mais sérios podem evoluir sem acompanhamento adequado.

A tecnologia amplia horizontes, mas a visão precisa ser preservada. Informação qualificada, pausas conscientes e consultas oftalmológicas regulares são atitudes essenciais para equilibrar conectividade e saúde. Afinal, enxergar bem é condição básica para acompanhar as transformações do nosso tempo.

Marineuza Rocha é médica

 

Renata Seldin é escritora
Renata Seldin
08 de Março de 2026
Alexandre Rolim
Alexandre Rolim
06 de Março de 2026
Professor aposentado da UFC
Gonzaga Mota
06 de Março de 2026
Renato Dolci é cientista político
Renato Dolci
05 de Março de 2026
Empreendedor
Gustavo Caetano
04 de Março de 2026
Consultor pedagógico
Davi Marreiro
03 de Março de 2026