Abril Verde e epidemia

Trata-se de uma verdadeira epidemia silenciosa que afeta muitas famílias, vitima trabalhadores e eleva os gastos de empresas (com processos indenizatórios) e do governo (com pagamento de benefícios previdenciários)

Escrito por
Valdélio Muniz producaodiario@svm.com.br
Jornalista
Legenda: Jornalista

Há 57 anos, uma explosão provocou a morte de 78 trabalhadores numa mina na Virgínia (EUA). A Organização Internacional do Trabalho (OIT), 34 anos depois (2003), instituiu a data (28/4) como Dia Mundial em Memória às Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho, o que, no âmbito do Brasil, foi oficializado como Dia Nacional, em 2005, pela Lei nº 11.121. Desde então, a data é lembrada como parte do chamado Abril Verde, movimento que adota esta cor por ser a que se vincula à saúde e segurança no trabalho.

O movimento tem o claro e louvável propósito de chamar a atenção de toda a sociedade para a necessidade urgente de que empresas privadas e órgãos públicos estabeleçam ambiente de trabalho seguro e saudável, reduzindo o índice de acidentes e de doenças ocupacionais no País. E motivos para preocupação, infelizmente, não faltam.

Trata-se de uma verdadeira epidemia silenciosa que afeta muitas famílias, vitima trabalhadores e eleva os gastos de empresas (com processos indenizatórios) e do governo (com pagamento de benefícios previdenciários). Por tudo isso, torna-se difícil (para não dizer insano) entender como a prevenção ainda não se tornou política relevante no âmbito de algumas organizações. A ânsia desenfreada por lucros (ou a vaidade política) não pode justificar o custo que se paga em vidas ceifadas ou incapacitadas para o trabalho (temporária ou definitivamente).

Dados do Anuário Estatístico de Acidentes de Trabalho do Ministério da Previdência Social (MPS) apontam que o País registrou 654.908 acidentes de trabalho em 2022, saltando para 754.382, em 2023, e alcançando 834.048 em 2024. Apenas na região nordeste, em 2024, foram 92.573 acidentes de trabalho.

Do total de acidentes em 2024, 24.864 atingiram trabalhadores com até 19 anos de idade; 118.786 acidentes envolveram jovens entre 20 e 24 anos e 129.169 ocorrências afetaram pessoas entre 25 e 29 anos, ou seja, 32,7% dos acidentes tiveram vítimas com menos de 30 anos. Dos acidentes registrados em 2024, 64% envolveram homens (533.900) e 3.394 resultaram em óbitos.

A gravidade do fato exige que o problema não seja visto apenas como meros números (banais, corriqueiros ou “inevitáveis”). As estatísticas crescentes evidenciam um indicativo de que o enfrentamento requer maior compromisso e que o investimento em prevenção não pode parecer mais pesado que o custo social de uma inação.

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