De acordo com a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor de 2025, os brasileiros demonstram confiança em suas condições pessoais para empreender, com mais da metade da população afirmando possuir a habilidade, a experiência e o conhecimento necessários para iniciar um novo negócio, e percebendo boas oportunidades nas proximidades de onde vivem, indicando um interesse da população em ter seu próprio negócio. Segundo o IBGE, a região Nordeste possui quase metade (47,9%) de toda a pobreza no Brasil, mesmo tendo menos de um terço da população nacional.
Os empreendedores de grandes cidades utilizam de técnicas como Reposição por Demanda que consiste em otimizar o inventário, adquirindo os produtos em pequenos volumes apenas sob a falta deles. Essa estratégia ajuda a identificar quais itens tem rotatividade e quais estão estagnados nas prateleiras, evitando o excesso de estoque parado. No entanto, o empreendedor do interior tem uma dificuldade adicional com a logística, um alto custo com o transporte dos insumos e tem que esperar um longo período para sua chegada, o pode inviabilizar a gestão mais eficiente do estoque, o que o força a manter estoques maiores que o necessário, pressionando o seu fluxo de caixa.
Outro desafio adicional do interior é a baixa qualificação de mão de obra especializada. Além disso, a falta de perspectiva de crescimento profissional faz com que ocorra um êxodo rural de talentos, deixando essas pequenas cidades com escassez de capital humano, em uma situação desfavorável na perspectiva de construir uma cultura de inovação. Somado a isso, está a baixa oferta de empregos que cria uma dependência do poder público local e, eventualmente, uma vulnerabilidade em ciclos eleitorais. Isso leva a pergunta; apesar desses desafios e dificuldades adicionais, é viável empreender no interior nordestino?
A despeito dessas e outras dificuldades, empreender nas cidades pequenas não só é possível, como pode ser a melhor entre as poucas opções de renda. É possível usar certas singularidades como vantagem estratégica, como por exemplo usar a distância dos centros urbanos, que reduz a concorrência pela falta de grandes marcas, como ferramenta de fidelização. Além disso, a baixa densidade demográfica permite um melhor conhecimento do público-alvo e promoções mais personalizadas, enquanto a baixa qualificação de mão de obra implica em menores custos de contratação e menor rotatividade dos colaboradores]
Bruno Lessa e Júlia Teles são professores