Na passagem dos seus trezentos anos de existência, não posso deixar de lhe escrever, minha cidade. É momento de exaltar sua beleza natural, sua pujança econômica, a hospitalidade de seu povo, seus aspectos culturais, sua história tão repleta de episódios marcantes… Enfim, esta cidade, a quarta maior do país em população, conforme o último censo do IBGE, hoje comemora oficialmente o seu terceiro século.
Neste feriado especial, vasta programação musical preparada pela prefeitura levará milhares de pessoas aos locais onde acontecerão os shows. E o calendário festivo, conforme informações da municipalidade, prolongar-se-á pelos próximos meses, neste momento histórico tão marcante para Fortaleza. Para este que aqui escreve, assim como para tantos que possuem mais de 60 anos de vida, muito há que se observar acerca do crescimento desta cidade. Nascida de uma pequena vila, fundada oficialmente em 13 de abril de 1726, Fortaleza consolidou-se através do tempo, tornando-se importante entreposto comercial e de serviços, cidade que atinge a marca de 2,4 milhões de habitantes e que se desenvolve a passos largos. Como capital turística, atrai gente de todo o Brasil e do exterior, oferecendo-lhe, além de suas belas praias e outros pontos de visitação, uma vasta rede hoteleira, restaurantes e toda uma estrutura que lhe permite ser referência nacional na matéria.
Mas eu, incorrigível saudosista, ao mesmo tempo em que celebro a contemporaneidade, não posso deixar de evocar a Fortaleza de minha geração. Da época em que éramos crianças e adolescentes e podíamos circular, sem medo, pelas ruas de nossos bairros, pedalando nossas bicicletas ou jogando bola nas praças. Era um tempo mais leve, em que até o trânsito era mais pacífico, sem motoristas bêbados ou motoqueiros infratores e impunes circulando nas vias públicas. Havia menos riscos e mais liberdade! Era uma cidade que, infelizmente, não volta mais. Habita, pelo menos, o subconsciente, nossas memórias afetivas, pois acho que o que é bom deve continuar vivo, pelo menos, no mais íntimo de nossas lembranças.
Impossível é olvidar aquela cidade mais pacífica, menos assustadora e até provinciana! Hoje, a metrópole paga o preço do progresso com o agravamento da violência e das desigualdades sociais, notadamente na periferia, e a insuficiência dos serviços públicos diante de seu gigantismo. Fico por aqui. Mas guardarei para sempre a cidade mais tranquila em que vivi e que permanecerá eternamente dentro de mim. Parabéns pelos seus 300 anos, Fortaleza!