Fraternidade e moradia

Nas últimas décadas, o governo federal tem implantado programas habitacionais, a exemplo do Minha Casa, Minha Vida, que consiste na construção de residências para famílias de baixa renda, mediante financiamento justo e pagamento de módicas prestações

Escrito por
Gilson Barbosa producaodiario@svm.com.br
Jornalista
Legenda: Jornalista

As dificuldades por que passam milhões de brasileiros, sem acesso a direitos básicos como ao de terem um teto digno, inspiraram a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) a estabelecer, como tema da Campanha da Fraternidade deste ano, a questão da moradia. É sabido que, entre outras carências que atingem nosso povo, está a dificuldade que muitas famílias enfrentam para obter uma habitação onde possam viver sob sua segurança.

O objetivo da Campanha da Fraternidade, cujo tema é “Fraternidade e Moradia”, ao contrário do que (ainda) muitos pensam, não é o de discutir politicamente a questão, mas, sim, o de provocar profunda reflexão e debates sobre as desigualdades que obrigam considerável segmento da população brasileira a viver sob condições indignas.

Essas famílias, geralmente pela ausência de meios financeiros que lhes permitam residir em áreas melhores, habitam cubículos em áreas de risco, submetidas às intempéries que causam tragédias como os deslizamentos de terra, vistos constantemente nos noticiários. Outras, pelas mesmas razões, vivem em barracos, nas chamadas “comunidades”, palavra modernamente usada para definir as favelas encarapitadas nos morros ou bairros mais periféricos das cidades deste país. Além da precariedade das residências, estão submetidas à convivência com esgotos a céu aberto e ao poder de facções criminosas que impõem suas regras por meio do terror e da violência.

Além desse enorme contingente de despossuídos, há que se incluir, ainda, aqueles que, por problemas de convivência familiar, opção própria ou adversidades que lhes alteraram o destino, não encontram outra alternativa senão a de viverem nas ruas e praças. São os chamados moradores de rua, vítimas do alcoolismo, da fome, do tráfico de drogas e outros. Nas últimas décadas, o governo federal tem implantado programas habitacionais, a exemplo do Minha Casa, Minha Vida, que consiste na construção de residências para famílias de baixa renda, mediante financiamento justo e pagamento de módicas prestações.

Essas iniciativas são fundamentais, mas há ainda expressivo déficit habitacional no país, da ordem de 6 milhões de moradias. Conforme os números divulgados pela CNBB, no documento oficial da campanha, são 26 milhões de pessoas que moram em condições inadequadas, inclusive nas ruas, atualmente, no Brasil. É uma realidade brutal e desumana dessa multidão de excluídos.

Portanto, despertar a consciência social para o tema é a meta da iniciativa, onde a Igreja nos faz um chamamento para que, juntos, discutamos o assunto e procuremos agir para que um dia, como povo e nação, transformemos este complexo contexto de exclusão e indignidade em que ainda se encontram esses brasileiros. Que assim possa acontecer!

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