O protagonismo feminino na perícia forense cearense

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Mayanne Melo producaodiario@svm.com.br
Mayanne Melo é vice-presidente do Sindiperitos-CE
Legenda: Mayanne Melo é vice-presidente do Sindiperitos-CE

Neste mês em que celebramos o Dia Internacional da Mulher, mais do que homenagens, é preciso reconhecer trajetórias concretas de transformação social. No Ceará, uma dessas histórias de avanço e protagonismo pode ser contada a partir da atuação das mulheres na perícia forense, um campo técnico, científico e historicamente marcado pela predominância masculina, mas que hoje revela uma presença feminina cada vez mais qualificada, estratégica e indispensável.

A perícia forense é uma das engrenagens mais sensíveis do sistema de Justiça. É por meio dela que vestígios se transformam em provas técnicas, que cenas de crime são analisadas com rigor científico e que laudos subsidiam decisões judiciais. 

A presença feminina nesse ambiente representa não apenas uma conquista simbólica, mas um avanço institucional. Mulheres peritas, médicas legistas, auxiliares de perícia e servidoras administrativas têm ocupado posições estratégicas, liderado equipes e contribuído diretamente para a modernização dos procedimentos técnicos e científicos.

Em casos de violência contra a mulher, por exemplo, a atuação de peritas e médicas legistas é muitas vezes decisiva. A escuta qualificada, o acolhimento humanizado e a produção de laudos tecnicamente robustos garantem não apenas a correta apuração dos fatos, mas também o respeito à dignidade das vítimas. Nesse contexto, o trabalho feminino agrega uma dimensão essencial de empatia e compreensão das especificidades de gênero, sem abrir mão do rigor científico.

Ao ocupar espaços de alta complexidade técnica, que envolvem biologia, química, física, tecnologia da informação e medicina, essas profissionais rompem estereótipos e ampliam horizontes para meninas e jovens que desejam seguir carreira nas áreas científicas e na segurança pública.

Esse avanço é fruto de anos de luta por igualdade de oportunidades, acesso a concursos públicos, qualificação profissional e reconhecimento. Também reflete uma mudança cultural gradual, que valoriza a diversidade como fator de fortalecimento institucional. A perícia forense cearense é hoje mais técnica, mais humana e mais plural graças à atuação firme e competente de suas profissionais.

Mayanne Melo é vice-presidente do Sindiperitos-CE

 

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