Tecnologia cerebral e o salto de precisão na neuropsicologia cearense

Escrito por
Liane Bastos producaodiario@svm.com.br
Liane Bastos é neuropsicóloga
Legenda: Liane Bastos é neuropsicóloga
A saúde mental no Ceará vive um momento oportuno. A incorporação de óculos de Realidade Virtual e capacetes de neurorregulação à prática clínica não é apenas uma atualização tecnológica, é uma mudança de paradigma. Pela primeira vez, o diagnóstico e o tratamento neuropsicológico recebem contribuições de dados objetivos mensuráveis e clinicamente validados.
 
No campo do diagnóstico, a diferença é evidente. Em vez de limitar a avaliação a testes de papel e caneta, crianças e adolescentes podem ser inseridos em ambientes imersivos que simulam situações reais, como uma sala de aula virtual. 
 
No tratamento, o avanço é igualmente relevante. A combinação da Realidade Virtual com a neurorregulação permite atuar diretamente em áreas cerebrais relacionadas ao foco, à autorregulação emocional e às funções executivas. Isso torna a intervenção mais personalizada, menos exaustiva e potencialmente mais eficaz.
 
A diferença entre métodos tradicionais e neurotecnologia está no conceito de neuroplasticidade dirigida. Enquanto abordagens convencionais promovem mudanças predominantemente comportamentais, ambientes imersivos associados à estimulação cerebral favorecem reorganizações neurais em tempo real. 
 
Tecnologias antes restritas a grandes centros do Sudeste agora estão disponíveis em Fortaleza, ampliando o acesso à saúde mental de alta complexidade no Nordeste. Isso reduz custos logísticos e emocionais para famílias e fortalece a capacidade técnica local.
 
Os ganhos clínicos já observados incluem melhora na atenção e permanência em tarefas, redução da impulsividade, avanço no manejo da frustração, desenvolvimento de habilidades sociais, especialmente no autismo, e fortalecimento das funções executivas, como planejamento e organização.
 
Mais do que uma tendência, a tecnologia cerebral sinaliza o futuro da neuropsicologia no Ceará, intervenções mais precoces, monitoramento contínuo por dados digitais e ajustes terapêuticos em tempo real. Precisão, nesse caso, não é frieza tecnológica, é a possibilidade concreta de oferecer cuidado mais eficaz, personalizado e alinhado ao que a ciência já é capaz de entregar.
 
Liane Bastos é neuropsicóloga 
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