Venda de botijão a R$ 40 seria ilegal e confunde consumidor

O presidente do Sindigás, Sergio Bandeira de Mello, ressalta que sindicatos não tem autorização para vender botijões. Há 14 dias em greve, entidades estão financiando venda de botijões a R$ 40 como forma de protesto à privatização

Legenda: Os botijões de gás só podem ser comercializados em locais adequados.

Em ação para marcar a greve dos petroleiros, a Federação Única dos Petroleiros (FUP) e os sindicatos estaduais passaram a financiar ontem a venda de botijões de gás de cozinha a R$ 40 como forma de se opor à privatização da Petrobras. Em Fortaleza, a campanha acontece hoje (14). Para o presidente do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás), Sergio Bandeira de Mello, o manifesto é irregular e causa confusão.

Ele lembra que sindicatos não têm autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para vender gás e que os revendedores só podem comercializar o produto em local adequado. "Não pode parar o caminhão no meio da rua e vender. Há negligência por parte das autoridades em deixarem a venda do GLP ocorrer de forma irregular".

Preço

Ele ainda ressalta não entender a escolha do valor de R$ 40. "Eles (petroleiros) não explicam se o botijão seria vendido a R$ 40 se retirasse os impostos ou outra coisa. Não está deixando a mensagem clara. É diferente de quando os postos vendem gasolina sem a parcela do ICMS por um dia", aponta o presidente.

"É como se, caso não houvesse privatização, fosse possível o botijão ser vendido a R$ 40, mas isso não é verdade". Ele argumenta que as privatizações que poderiam interferir no preço do gás de cozinha - da Liquigás e das reinarias da Petrobras - ainda não aconteceram. "E o preço está do jeito que está".

Em comunicado publicado no próprio site, a FUP afirma que os altos preços do botijão são um dos "prejuízos causados pela política de preços que a Petrobras adota desde 2016 e que faz parte do pacote de desmonte e privatização da empresa".

A entidade ressalta que "apesar de extrair petróleo com um dos custos mais baixos do planeta, a Petrobras reajusta os preços dos derivados nas refinarias de acordo com as variações do mercado internacional e, consequentemente, do dólar". A Federação também diz que a empresa vem reduzindo o uso das refinarias, que operam hoje com capacidade abaixo de 70%, contra 95% há seis anos.

Impacto

Mello acredita que a ação irá prejudicar o trabalho dos distribuidores, uma vez que os consumidores podem se sentir lesados.

Segundo ele, a campanha abre margem para que a população questione os preços praticados. "Não acho que a gente venda o botijão por um preço elevado. No final das contas, quem segura a barra é o revendedor, porque o consumidor não tem culpa, ele escuta tudo que está sendo dito e fica confuso".

Sobre a composição do preço do gás de cozinha, o presidente do Sindigás diz que a ANP estima o valor médio de R$ 70 para a venda do botijão, dos quais R$ 28 seriam referentes à refinaria, R$ 12 de impostos, e R$ 30 para o restante dos custos para fazer o produto chegar à casa dos consumidores. A média já inclui as parcelas de lucro da Petrobras e distribuidoras.


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