Transporte de bagagem de mão virou problema para companhias

Diante da necessidade de despachar a mala de mão de última hora, passageiros têm se sentido desconfortáveis com a situação, já que itens em muitos casos são mais frágeis e pessoais

Mais de um ano após a entrada em vigor das regras de franquia de bagagem, a polêmica vem ganhando novos capítulos nos últimos meses. Tem se tornado cada vez mais comum as companhias solicitarem aos passageiros que despachem a mala de mão por superlotação no bagageiro superior das aeronaves, o que tem sido motivo de desconforto para os passageiros.

Em sua última viagem, a publicitária Natália Lima decidiu levar apenas a bagagem de mão. Com a certeza de que a mala iria no bagageiro superior, ela não viu problemas em transportar uma bolsa mais delicada e com itens pessoais importantes. "Quando eu estava prestes a entrar na aeronave, um funcionário recolheu as malas e informou que não tinha lugar para todo mundo levar a bagagem de mão. Reclamei com a própria companhia, porque eu estava com uma mala que realmente é de bordo e mais frágil".

De acordo com a diretora do Procon Fortaleza, Cláudia Santos, as empresas não podem, no entanto, obrigar o consumidor a despachar um item que esteja dentro dos padrões de bagagem de mão da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Com as regras, a mala de mão, que antes podia pesar até 5 kg, agora pode ser de até 10 kg. "Mais uma vez o consumidor está sendo penalizado. A bagagem de mão é um direito. As companhias não se adequaram a esta nova realidade", explica. Cláudia reforça que o consumidor que se sentir lesado deve procurar os órgãos de defesa.

Em nota, a Anac respondeu que o despacho voluntário "é uma prática internacionalmente adotada pelas empresas aéreas, de forma gratuita e espontânea, exatamente para distribuir o fluxo de bagagens de mão, observado as dimensões definidas para esse tipo de bagagem e as limitações da aeronave relacionadas à segurança de voo".

A Gol informou que os passageiros podem embarcar com um volume de até 10 kg em viagens nacionais e internacionais, com medidas de 40 x 25 x 55 cm, além de um item pessoal como uma bolsa, mochila ou notebook. "A Gol também adota, quando necessário, o despacho voluntário. Nesse procedimento, a empresa oferece o serviço sem cobrança adicional. A medida visa sempre um maior conforto dos clientes durante o voo".

A Azul ressaltou que tem conscientizado os passageiros sobre as regras reforçando as dimensões máximas permitidas. "De modo geral, a companhia não observa intercorrências na acomodação dos pertences dos clientes dentro das aeronaves".

A Latam também disse, em nota, que segue as regras da Anac para transporte de bagagem de mão. "Caso a bagagem de mão exceda os limites de peso ou dimensões, será encaminhada para o porão da aeronave", diz a companhia.

A Avianca também informou apenas que segue as normas da Anac. "Em voos nacionais, cada passageiro pode levar uma mala de mão de 115 cm com, no máximo, 35 cm de largura, 55 cm de altura e 25 cm de profundidade".

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