Rastreabilidade vem ganhando importância

Empresa cearense consegue saber e controlar todos os elementos que podem impactar no produto

Você consegue imaginar um novo melão chegando à sua casa por correspondência, após você ter feito, pela Internet, uma reclamação à empresa produtora, dizendo que não gostou da qualidade da fruta comprada no supermercado? Parece algo surreal, mas isso acontece, inclusive no Ceará, e só é possível graças à evolução do código de barras. Com um consumidor cada vez mais exigente, o mercado agrícola, sobretudo, vem investindo em tecnologias que permitem identificar a trajetória de alimentos e produtos desde o plantio ou fabricação até a residência do cliente.

A Itaueira tem detalhado, em seu banco de dados, o que acontece no preparo do solo, plantio, adubação, irrigação, colheita, separação e transporte dos produtos. O monitoramento acontece nas três fazendas da empresa FOTO: DIVULGAÇÃO

A rastreabilidade de mercadorias vem ganhando importância nos último anos e chegou ao Estado em 2011, por meio da empresa cearense Itaueira Agroindústria S/A, que comercializa seus produtos - principalmente melões - em todo o Brasil, na Europa e na América do Norte. Assim, a empresa consegue conhecer e controlar todos os elementos que podem impactar no sabor da fruta, garantindo ao consumidor um produto de qualidade.

A Itaueira tem detalhado, em seu banco de dados, o que acontece no preparo do solo, plantio, adubação, irrigação, colheita, separação, transporte dos produtos, etc. O monitoramento acontece nas três fazendas da empresa, localizadas nos estados do Ceará, Piauí e Bahia.

Controle

"Temos o controle de cada melão produzido por meio de uma sequência numérica que dá informações precisas das unidades. Com essa tecnologia, sabemos, por exemplo, em que campo o melão foi colhido, por que baia ele passou e as pessoas que fizeram o processamento", diz Amanda Prado, supervisora de processos do Melão Rei, denominação dada aos frutos produzidos pela Itaueira, associada à GS1 Brasil desde 1995.

Segundo ela, o processo de rastreamento das mercadorias tem proporcionado, acima de tudo, mais controle em relação à atividade no campo, considerando que, com os códigos de barra, é possível saber as áreas de produção onde fez mais sol ou chuva, fatores climáticos que estão diretamente ligados à qualidade dos produtos da empresa, que produz cerca de seis milhões de caixas de melão por ano, o equivalente a 3,3 mil toneladas da fruta. Ao todo, são 2,2 mil hectares, 980 no Ceará e o restante nos outros dois estados nordestinos.

Com a rastreabilidade, a Itaueira já conseguiu identificar a origem de uma contaminação por bactéria, que ocorreu no período de chuvas. Na época, todas as frutas foram retiradas do mercado, mesmo as que não tinham o problema.

Depois disso, a empresa alterou o calendário de plantio de algumas variedades de melão. Conforme Amanda, o sistema de rastreamento garante a satisfação dos consumidores e a exportação de 20% do que é produzido, haja vista as exigências do mercado internacional no que se refere à segurança alimentar.

Investimento

E, por falar em satisfação da clientela, quem consome o "melão da redinha", como é popularmente conhecido do mercado, consegue dar o retorno à empresa sobre a qualidade da mercadoria que adquiriu no ponto de venda. Caso não fique satisfeito com o sabor do produto, o consumidor pode até solicitar a substituição da fruta. "Diante da insatisfação, mandamos novos melões por motoboy, se o cliente for de São Paulo, onde fica nosso escritório, ou por correspondência para outros estados", informa Amanda, dizendo que esse feedback é fundamental para o aprimoramento constante dos processos da Itaueira.

Para saber sobre a procedência do Melão Rei, basta o consumidor entrar no site da empresa, digitar o número que vem impresso na etiqueta e, dessa forma, saber o origem do produto.

"Estamos sempre incentivando o cliente a acompanhar nosso processo de rastreabilidade e saber, de fato, a procedência daquilo que ele está levando para a sua mesa", afirma.
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