Locadoras demitem 20% no CE, mas esperam recuperação rápida

De acordo com associação que representa o setor, reabertura de empresas reaquece terceirização de frota e aluguel por motoristas de aplicativos. Entre 3% e 4% das locadoras de veículos no Estado fecharam as portas na pandemia

Legenda: Reabertura de empresas e volta ao trabalho impactarão na necessidade de locomoção dos cearenses e devem reaquecer locadoras de veículos
Foto: Foto: kid junior

A necessidade menor de locomoção em decorrência do isolamento social derrubou o setor de transporte urbano. No segmento de locação de veículos, por exemplo, a pandemia do coronavírus levou à paralisação cerca de 90% da frota cearense ao fim de abril. Com a demanda menor, cerca de 20% dos 4.466 trabalhadores que o ramo empregava antes do avanço da doença no Estado foram demitidos, de acordo com a Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis (Abla).

A entidade estima que entre 3% e 4% das locadoras nem sequer consigam reabrir as portas. Apesar dos impactos negativos, a Abla acredita que o segmento é sensível à reabertura da economia já que uma boa parte dos veículos de locadoras é alugada para composição de frota em empresas privadas e outra corresponde aos aluguéis por motoristas de aplicativo.

"O setor realmente foi muito atingido na parte dos aluguéis por motoristas de aplicativos e para turistas de lazer ou de negócios", diz o presidente do Sindicato das Locadoras de Veículos do Ceará (Sindiloc-CE) e diretor regional da Abla, Carlos Augusto da Silva. "Acredito que em 90 dias, nós teremos nos recuperado em cerca de 50%".

A projeção se sustenta, de acordo com ele, no retorno gradual das atividades econômicas e comportamentais. Com isso, as empresas precisam retomar as frotas e o transporte por aplicativo voltar a ficar aquecido. "De um modo geral, as empresas estão voltando a abrir aos poucos, então é um efeito em cadeia", detalha o presidente do Sindiloc-CE.

Assim, Carlos Augusto da Silva acredita que uma parte das demissões deve ser reabsorvida pelo mercado. "Sabemos que é algo que não acontecerá da noite para o dia". Para ele, a reintegração desses trabalhadores deve ocorrer gradualmente até dezembro ou janeiro, quando o segmento de locadoras de veículos deve se recuperar por completo, conforme as expectativas dele.

Otimismo

Empresária do setor de locação de veículos, Lia Holanda lembra que os últimos meses foram difíceis, mas respira aliviada ao relatar que os contratos de terceirização de frota para empresas estão sendo retomados aos poucos. Com a reabertura gradual das atividades evoluindo, ela consegue visualizar um horizonte mais otimista para os próximos meses. "Alguns veículos já estão retornando aos contratos. Esperamos que não tenhamos que retroceder no processo de reabertura da economia. Seria um desastre para nós".

Por conta da pandemia, o negócio de Lia teve que desligar 10% do quadro de funcionários entre março e abril deste ano. Além disso, ela se valeu da Medida Provisória 936 para suspender o contrato de alguns funcionários durante o período. "Tivemos também que reduzir os valores e renegociar contratos que temos com alguns fornecedores, entre eles, bancos, mas a nossa expectativa é positiva. Esperamos retomar os contratos até o fim deste ano", pontua.

Aplicativos

Dados da Abla mostram que, no Ceará, cerca de 50% dos veículos de locadoras são alugados para terceirização de frota de empresas privadas. "O restante se divide entre os aplicativos e a locação de veículos para turismo de lazer e de negócios", diz Paulo Miguel Junior, presidente da Abla. "O Ceará tem uma forte vocação turística", pontua. Ele reforça a visão otimista em relação ao setor: nos primeiros 15 dias de junho, a demanda por locações já apresentou crescimento de 15% na comparação com a movimentação registrada em igual período do mês de abril.

Com números já um pouco melhores ante abril, as expectativas se sustentam no fato de a reabertura gradual das empresas refletir o retorno da terceirização de frota. Além disso, o presidente da Abla avalia que o medo de aglomerações pode impulsionar o transporte por aplicativo.

"As pessoas que possuem uma condição um pouco melhor vão buscar fugir das aglomerações, do transporte coletivo, por conta do coronavírus. Além disso, há ainda os que vão querer alugar um carro por um tempo para evitar o transporte público até isso passar", destaca.

Paulo Miguel Junior também acredita que a locação de veículos possa ser impactada por um crescimento do número de motoristas por aplicativo diante das demissões provocadas pela crise do coronavírus. "Acreditamos que, com o desemprego em alta, muitas pessoas vão procurar a atividade, devemos ter um crescimento no número de motoristas por aplicativo".

Frota nacional

De acordo com o censo mais recente do setor de aluguel de veículos, organizado pela associação e com informações da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), o Brasil contava, antes da pandemia, com 10.812 empresas de locação de veículos, responsáveis pela geração de 75,1 mil empregos diretos. A frota era de 998 mil veículos.

Ainda segundo esses dados, no País, 52% dos veículos são alugados para terceirização de frota de empresas privadas, 28% são locados para turismo e 20% para transporte por aplicativos.

"A avaliação que fazemos é que o menor impacto veio das empresas que trabalham sobretudo com terceirização de frota. As empresas mais voltadas para a locação por quem trabalha com transporte por aplicativo foram bastante prejudicadas", diz.

O setor de locação de veículos no Ceará não fugiu à regra e sofreu os impactos da pandemia no Ceará, mas avalia que deve ser mais sensível à retomada das atividades e tem boas expectativas

 



Redação Há 1 hora