Governo não vai usar dinheiro que falta na saúde para salvar grandes empresas, diz Guedes

O ministro disse que o Tesouro Nacional dará garantia a empréstimos concedidos a empresas maiores, mas em proporção mais baixa

Legenda: A investidores, o ministro fez questão de ressaltar que o forte rombo das contas públicas em 2020, por causa da pandemia, deve ser algo excepcional
Foto: Fabio Pozzebom/Agência Brasil

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta quarta-feira (29) que o governo não usará recursos públicos que faltam na saúde e na educação para salvar grandes empresas durante a crise do novo coronavírus.

Em videoconferência com o setor varejista, Guedes disse que o Tesouro Nacional dará garantia a empréstimos concedidos a empresas maiores, mas em proporção mais baixa do que o limite dado a companhias de outros patamares.

"O governo não vai pegar dinheiro público, dinheiro que falta para saúde e educação, e simplesmente salvar uma grande empresa, não é assim. É da vida ser abatido, é do mercado. Uma economia de mercado de vez em quando é atingida", disse.

O ministro explicou que companhias de grande porte fortemente atingidas pela crise, como os setores de aviação, automotivo e de distribuição de energia, poderão fazer livre negociação com sindicatos bancários.

Para empresas com faturamento anual superior a R$ 10 milhões, Guedes afirmou que será reforçado um fundo de garantias de investimentos com um mecanismo chamado de primeira perda.

"Os bancos repassam os recursos. Se tiver uma perda de até 20%, quem paga é a gente. Se 20% foram perdidos, quem arca é o Tesouro. O Tesouro dá uma garantia para que eles possam ter um incentivo a correr um pouco de risco", disse.

O patamar de garantia, portanto, é muito menor do que o liberado pelo governo para empresas menores. Em projeto votado no Congresso com aval da equipe econômica, companhias com faturamento anual de até R$ 360 mil poderão fazer empréstimos com garantia de até 80% do Tesouro.

Em outra frente, empresas que faturam entre R$ 360 mil e R$ 10 milhões ao ano ganharam direito a crédito para a folha de pagamentos a juros de 3,75% ao ano. Nesse caso, o Tesouro repassa R$ 36 bilhões para dar garantia a 85% dos financiamentos.

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