Embate ganha apoio político

Escrito por Redação,

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Deputados dizem que ONG alicia pessoas na região para se passarem por índios. Funai promete esclarecer o caso

A discussão envolvendo o polêmico complexo turístico hoteleiro Cidade Nova Atlântica, que tem obras paralisadas desde 2004, mediante liminar do Ministério Público Federal por suspeita de que o terreno pertenceria a uma reserva indígena, ganha agora uma nova adesão: a dos parlamentares da Comissão de Turismo da Câmara Federal.

Acompanhados pelo governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), ontem, os membros da comitiva vieram ao Ceará e sobrevoaram a área de três mil hectares que abrigará o empreendimento. Segundo eles, no local, não há rastro algum de indígenas. ´O que existe é uma ONG [Organização Não Governamental] que já recebeu quase R$ 1 milhão para aliciar pessoas na região para se passarem por índios´, afirma a deputada Gorete Pereira (PR-CE).

´Fomos até lá, conversamos com a população local e não vimos nenhum índio. O que vimos foram pessoas que querem a implantação de um projeto que irá trazer desenvolvimento e empregos´, emenda o deputado Albano Franco (PSDB - SE), presidente da Comissão de Turismo da Câmara Federal.

Para o deputado Raimundo Gomes de Matos (PSDB-CE), o caso precisa ser melhor investigado. ´Antes de 2004, quando o Ministério Público entrou com a liminar barrando a obra, segundo o cadastro da Funai, não havia população indígena no local´, ressalta o parlamentar, dizendo que Cid Gomes já sinalizou interesse em apoiar uma audiência pública, em Brasília, para discutir o caso. O governador financiaria as passagens aéreas para os integrantes da ONG. Os políticos não souberam informar, porém, o nome da Organização Não Governamental apontada como aliciadora e nem a que interesses estaria atendendo.

Após a visita técnica à Itapipoca, os deputados, o Embaixador da Espanha no Brasil, Ricardo Peidró e os espanhóis do Afirma Grupo Inmobiliario (atuais donos do Cidade Nova Atlântida desde o início de 2008) se reunirão a portas fechadas com Cid Gomes.

Funai

Os deputados federais afirmam que a Fundação Nacional do Índio (Funai) evita se manifestar sobre o assunto. Procurada pela reportagem do Diário do Nordeste, a entidade, por meio de sua Coordenadoria de Comunicação, se manifestou dizendo que ´dará toda atenção para responder as indagações do Diário do Nordeste para ver o que procede´. Em breve, deverão se posicionar.

Interesse espanhol

´Com a crise imobiliária nos Estados Unidos e na Espanha, o Governo espanhol está se mexendo para investir no Brasil e no Ceará, por conta da proximidade geográfica´, comenta o presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico do Ceará (Adece), Antônio Balhmann. ´Para você ver como o Ceará vai bem: até o Cidade Nova Atlântida vai sair´, completa o titular da Adece.

FIQUE POR DENTRO
Embates já permeiam por 20 anos

As terras para a construção do megaprojeto Cidade Nova Atlântida, foram adquiridas, em 1978 pelo grupo empresarial espanhol de mesmo nome, durante o Governo de Virgílio Távora. Em 20 anos, muitas questões, barraram seu andamento. Investigado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), vinculado ao Ministério da Fazenda, o presidente do grupo espanhol Nova Atlântida, Juan Ripoll Mari, foi acusado, em 2007, de lavagem de dinheiro do crime organizado internacional. Há seis meses, o Afirma Grupo Inmobiliário assumiu o comando do projeto. Orçada em US$ 15 bilhões, a Cidade Nova Atlântida pretende ser o maior empreendimento turístico do País. Está prevista a construção de 13 hotéis cinco estrelas, 14 resorts, seis condomínios residenciais e três campos de golfe, numa área contínua de 12 quilômetros de praia e 3,1 mil hectares (o equivalente a 167 estádios do Maracanã).

Lívia Barreira
Especial para Economia