Campos Neto: estender mais auxílios agora pode significar menos efeitos positivos

Presidente do Banco Central alerta sobre efeitos de aumento de gastos públicos

Legenda: O déficit fiscal tem que ser revertido a partir do próximo ano", enfatizou o presidente do BC
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, repetiu nesta segunda-feira (16), que o lançamento de um programa fiscal com aumento de gastos públicos pode ter um efeito contracionista na economia, ao invés de favorecer o crescimento.

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"Passamos de um ponto de inflexão. Estender mais os auxílios agora pode significar menos (efeitos positivos). Foi o teto de gastos que nos permitiu gastar mais na pandemia. Assim que se começou a questionar o teto, o mercado reagiu imediatamente nos preços dos ativos", afirmou, na 3ª Conferência Anual da América Latina, organizada pela Chatham House e pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF).

Renda

Mais uma vez, Campos Neto lembrou que a recomposição da renda das famílias por meio dos auxílios do governo gerou uma poupança que deve começar a ser usada a partir do momento que esses auxílios forem retiradas em 2021.

"Não acho que temos uma opção. O déficit fiscal tem que ser revertido a partir do próximo ano", enfatizou. "Para atrair investimento privado, é preciso termos essa credibilidade. Só assim poderemos ter crescimento sustentável no longo prazo", concluiu.

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