Agro Automóvel Papo Carreira Tecnologia

Bandas de forró chegam a cobrar R$ 170 mil

Escrito por
Redação producaodiario@svm.com.br
Legenda: Profissionalização e fama nacional das bandas de forró cearenses ocorreram na década de 1990, segundo estudo da UFC
Foto: Foto: Divulgação

Estilo musical construiu famanacional nos últimos 20 anos e é o que mais lota os clubes cearenses

Nas casas noturnas de Fortaleza, o dinheiro também chega, naturalmente, aos artistas que são convidados para subir aos palcos. Em uma cidade onde a indústria do forró consolidou-se ao longo dos últimos 20 anos, as bandas deste gênero musical são as que mais movimentam o mercado de entretenimento local, cobrando cachês que chegam a R$ 170 mil por show. Este é o valor cobrado, por exemplo, pelos empresários da Aviões do Forró, segundo quem já contratou.

A cifra pode ser maior, dependendo do evento (se é privado ou não), do dia da semana (se é no fim de semana ou não) e da época do ano (se é nos meses de férias ou não).

Para se apresentar na festa do Réveillon da Capital, por exemplo, a banda Garota Safada, liderada pelo cantor Wesley Safadão, recebeu R$ 480 mil da Prefeitura de Fortaleza.

Para grupos de menor porte, mas também muito famosos, como Solteirões do Forró e Forró dos Plays, os cachês vão de R$ 35 mil a R$ 40 mil.

O Diário do Nordeste teve acesso a essas quantias por meio de organizadores de eventos que já contrataram os serviços dos grupos. Vale lembrar que esta bandas levam consigo dezenas de empregados, desde músicos, dançarinas e pessoal de apoio técnico.

Compositores

Até os profissionais responsáveis pelas composições das músicas de forró abocanham significas quantias neste mercado. Conforme apurou a Redação Web da Rádio Verdes Mares, compositores do gênero chegam a lucrar mais de R$ 500 mil quando uma canção vira sucesso nas casas noturnas. Em vários outros casos, os rendimentos ficam entre R$ 100 mil e R$ 200 mil.

Cultura

A consolidação deste mercado tem início nos primeiros anos da década de 1990. Antes disso, o forró era encarado como um gênero que se restringia às classes de baixa renda, ao interior do Nordeste, a determinadas casas noturnas das periferias dos grandes centros, e à época das festas juninas.

Em geral, era considerado um estilo brega, desprezado pelas classes média e alta. Além disso, e por conta disso, a produção musical era simples e modesta, transmitida por meio de grupos ou trios que se resumiam à sanfona, triângulo e à zabumba.

Essa percepção é do estudo "Arranjo Produtivo do Forró em Fortaleza", coordenado pelo professor de economia da Universidade Federal do Ceará (UFC) Jair do Amaral Filho, em parceria com vários outros pesquisadores do tema.

Profissionalização

O trabalho também aponta que essa "profissionalização" foi liderada pelo empresário Emanuel Gurgel, mentor da "Mastruz com Leite", que é considerada a primeira grande banda de forró do Brasil.

Atualmente, avalia ainda o estudo, essa indústria impressiona pela presença de uma grande quantidade de agentes, pelas interações produzidas, pelo espaço ocupado na mídia, pelos mercados conquistados dentro e fora do Ceará e pelo volume de emprego e renda, este último sem dados precisos que pudessem estimar o impacto de toda a rede de profissionais envolvidos na economia local. (AIR)

Newsletter

Escolha suas newsletters favoritas e mantenha-se informado