Vamos precisar tomar o reforço anual da vacina contra Covid? Veja o que se sabe sobre isso

O reforço vacinal das doenças se dá porque às vezes as pessoas imunizadas estão há muito tempo sem ter contato com o vírus

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Legenda: Distanciamento social, uso de máscaras e higienização das mãos continuam sendo medidas necessárias para a prevenção viral, mesmo entre os vacinados.
Foto: Thiago Gadelha

Apesar do reforço anual ser comum em algumas vacinas, como a da influenza, ainda não está definido se os imunizantes contra a Covid-19 vão precisar de tal medida. Conforme a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), não há estudos conclusivos sobre isso. Mas, até agora, o que se sabe sobre o assunto? 

O diretor-presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres, acredita que algumas vacinas contra o coronavírus irão necessitar de uma terceira dose. “Ainda é difícil dizer qual", relatou Torres em palestra virtual, realizada no dia 13 de julho.

Nesta segunda-feira (19), a Anvisa autorizou ainda um estudo clínico para avaliar a segurança e a eficácia de uma terceira dose da Oxford/AstraZeneca. O diretor-presidente da instituição afirma que diversos estudos nesta área são feitos ao redor do mundo, “o objetivo é obter a imunização segura e mais duradoura”.

Além disso, o Instituto Butantan informou em nota que estuda a possibilidade de aplicar anualmente uma dose de reforço da CoronaVac - que tem ciclo atual de duas doses, com intervalo de 28 dias entre as aplicações -, “levando em consideração as cepas dominantes, assim como já é feito com a vacina contra a gripe”.

Neste contexto, o Governo do Estado de São Paulo anunciou, nesta segunda-feira (19), que vai iniciar um ciclo de imunização anual contra a Sars-Cov-2 a partir do dia 17 de janeiro de 2022.

“Precisamos fazer com que haja proteção da população de forma constante, uma vez que, assim como o vírus H1N1, da gripe, chegou para ficar e ainda está no nosso meio, o corona também ficará”, expôs o secretário de saúde estadual de SP, Jean Gorinchteyn.

De acordo com o consultor em infectologia da Escola de Saúde Pública do Ceará (ESP/CE), Keny Colares, a questão do reforço vacinal é um “grande ponto de interrogação que o mundo todo discute e não tem uma resposta precisa ainda”.

“Alguns países já estão discutindo a possibilidade de fazer mais doses, mas, assim, tudo isso baseado na preocupação com o aumento do número de casos em alguns locais do que baseado realmente em alguma certeza, né?”, continua.

O especialista esclarece que o reforço vacinal das doenças se dá porque às vezes as pessoas imunizadas estão há muito tempo sem ter contato com o vírus, o que pode ocasionar uma diminuição dos anticorpos, fazendo necessário que haja um reforço àquela imunização.

Tanto é que existem algumas vacinas que a gente faz todo ano, existem vacinas que a gente faz de 5 em 5 anos, de 10 em 10 anos e tem algumas até que você não precisa ficar fazendo reforço, né? Então isso não é exatamente igual de uma doença para outra”
Keny Colares
Infectologista

Para o imunologista e professor do Departamento de Patologia e Medicina Legal da Universidade Federal do Ceará (UFC), Edson Teixeira, é preciso acelerar o processo de vacinação contra a Covid-19 tanto quanto possível, além de seguir a completude do esquema vacinal proposto até então.

“É preciso que a gente acelere esse processo porque tem aparecido variantes… o número de casos em relação à variante Delta nos Estados Unidos, por exemplo, tem avançado. E é preciso que as pessoas tenham consciência que só uma dose da vacina [exceto a Janssen] não é suficiente para se chegar naquela eficácia identificada nos estudos”, detalha.

Teixeira pontua ainda que já se nota uma redução atual no número de casos, internamentos e óbitos decorrentes do coronavírus na região e que “sem dúvida nenhuma, em alguns grupos, isso já é efeito da vacinação”.

No entanto, o professor da UFC destaca ser necessário que haja uma busca ativa das pessoas para a vacinação, porque “a única forma de minimizar o risco [de uma terceira onda], além das medidas de proteção que nós conhecemos, é atingir 75% a 80% das pessoas vacinadas com duas doses”.

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