Reinfecção de Covid-19 pode ser acompanhada de sintomas mais fortes, diz estudo

A pesquisa acompanhou 30 pessoas desde março de 2020, quando os primeiros casos do novo coronavírus eram confirmados no Brasil, até o mês de dezembro

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Legenda: Segundo a Fiocruz, a imunidade não foi detectada após a primeira infecção, o que deixou os pacientes expostos a uma reinfecção pela mesma variante do vírus.
Foto: Tarso Sarraf/AFP

As pessoas que já foram contaminadas pelo novo coronavírus, ainda que tenham desenvolvido sintomas leves, podem ser reinfectadas, e com quadro de saúde mais grave, independemente de qual cepa.

A conclusão está em uma pesquisa realizada e divulgada nesta semana pela Fiocruz. O estudo acompanhou 30 pessoas desde março de 2020, quando o coronavírus acabava de chegar no Brasil, até dezembro daquele ano.

Para a infectologista e epidemiologista Caroline Gurgel, mesmo que uma pessoa tenha entrado em contato com uma espécie de vírus, ela nunca estará imunizada completamente. Por isso, ao longo do tempo, um mesmo sujeito pode ter várias viroses respiratórias, pois "não temos imunidade duradoura", o que faz com que os humanos sejam novamente vulneráveis.

Primeira infecção

Conforme explica a infectologista, no caso da Covid-19, a demora em ter contato com a nova variante é uma das principais explicações para o processo de reinfecção.

"Tivemos contato com a variante do Sars-Cov-2, e só depois de um tempo, que foi mais prolongado, tivemos contato com outra variante, que se separou da 'cepa original'. Nosso organismo, no entanto, não teve tempo de reconhecer essa nova cepa. Assim, ela age como se fosse uma primeira infecção no corpo".
Caroline

Além disso, existe uma característica intrínseca à nova variante: ela consegue escapar com mais agilidade do sistema imunológico. Conferindo, de acordo com Caroline, uma qualidade muito maior de células infectadas.

"Por isso tomamos todos os anos a vacina da influenza, e vamos ter que tomar a do coronavírus também, pois os vírus respiratórios são muito instáveis", afirma.

Sintomas mais fortes

A professora Victória Passos (29) teve o novo coronavírus duas vezes. Em dezembro de 2020, após sentir uma dor de cabeça incomum, ela procurou fazer o teste para detectar o vírus. Com o resultado positivo, ficou em quarentena e não teve outras complicações.

No entanto, em fevereiro de 2021, a professora voltou a sentir sintomas. Além do teste, ela precisou de atendimento médico e passou um dia no hospital, mas sem ficar internada. “Eu sabia que poderia pegar duas vezes, mas pensava que demoraria pelo menos uns três meses, devido aos anticorpos”.

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Legenda: Paciente deve ter dois testes RT-PCR positivos para se enquadrar como suspeito de reinfecção
Foto: Natinho Rodrigues

Depois de um primeiro teste positivo em julho de 2020, porém em estado assintomático, a gerente de RH Priscilla Moura (31) também passou por uma reinfecção com sintomas mais fortes da doença em janeiro de 2021. “Nesta segunda vez precisei ir ao hospital duas vezes. O incômodo da falta de ar era bem forte e desesperador”.

A resposta para a reinfecção ter sintomas mais graves, segundo o estudo, é devido à baixa exposição do vírus na primeira infecção. De acordo com o coordenador da pesquisa, Thiago Moreno, "não basta uma exposição ao vírus, e sim mais de uma, para ter um grau de imunidade”.

Exposição ao vírus

Segundo a Fiocruz, a imunidade não foi detectada após a primeira infecção, o que deixou os pacientes expostos a uma reinfecção pela mesma variante do vírus - dado confirmado pelo sequenciamento do genoma do vírus presente nas amostras coletadas dos pacientes.

De acordo com Caroline, o aumento na gravidade dos sintomas pode ser resultado também de uma alta no processo inflamatório. Pois quando se dá a infecção, esse vírus consegue ter uma carga viral muito mais elevada, até dez vezes mais quando comparada à cepa original.

Isso significa que o vírus está infectando uma quantidade maior de células e a saúde do corpo acaba eliminando essas células para tentar conter a infecção. Esse processo acaba aumentando também o processo inflamatório.

"Você tem uma cascata muito grande de mediadores inflamatórios, favorecendo com a piora do paciente. Por isso que outros problemas de saúde são observados nos pacientes, pois o coronavírus não só infecta pulmões. Mas ele também tem uma competência para provocar uma infecção sistêmica", finaliza.
Caroline

 

 

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