Praia do Futuro guarda sérios riscos para banhistas

O importante polo turístico da Capital possui um mar com dinâmica própria, que aumenta as chances de afogamentos. O tripé de responsabilidades envolve banhistas, barracas e efetivo de salva-vidas. A frequência de afogamentos alerta para o cuidado redobrado. Entre 2016 e 2018, foram realizados 1.405 resgates. No mesmo período, quatro óbitos registrados

Legenda: Início das férias, em dezembro, representa aumento do fluxo de turistas e banhistas no local
Foto: FOTO: TALLES FREITAS

Bonita, até balneável, mas perigosa. A praia é 'do Futuro', mas são os problemas do passado, ou de sempre, os maiores riscos para banhistas no famoso pedaço de orla na Capital. Com a aproximação das férias e a alta estação, aumenta o fluxo de banhistas e, por consequência, os riscos de afogamentos. As causas são diversas e estão dos dois lados da onda: a natureza e o homem.

O recente afogamento fatal de um jovem turista de 21 anos, no último sábado, lembrou que se morre lá. Ainda que haja óbitos "isolados", são frequentes os afogamentos na que é afirmada (e reafirmada pelos bombeiros) a 'praia mais perigosa de Fortaleza' - foram 300 salvamentos de janeiro a outubro de 2018.

Apesar de tão conhecida por suas areias, a turística 'PF' guarda uma realidade em suas águas que a maioria desconhece. Como a que faz o banhista tão perto do seco não sentir areia nos pés com mais passos a diante.

A lua cheia do último fim de semana provocou um aumento dos ventos e ondas maiores. Elas que causam as correntes de retorno, pois a água que é empurrada para o continente tem que voltar. Essa pressão de volta gera buracos e depressões na extensão das áreas de banho.

"No último fim de semana, a correnteza mudou a direção. Em lua cheia vem, geralmente de leste a oeste, mas veio de Norte", explica Marcus Davis, operador de mergulho. Esse movimento das águas gera uma dinâmica que aumenta ainda mais os riscos de afogamentos.

A singularidade da Praia do Futuro é também apontada pela pesquisadora Ozilea Bezerra, diretora do Instituto de Ciências (Labomar), da Universidade Federal do Ceará (UFC). "O caso mais comum lá é a corrente de retorno originada quando ondas mais altas que a média se rompem em sucessão rápida e elevam o nível da água dentro de uma barra submarina", explica.

Na prática, significa que não existe raso seguro quando se trata dessas correntes. E a melhor forma de se livrar é não lutar contra elas, nadar de lado para sair do contrafluxo e, em seguida, ir à praia.

Mais uma característica da Praia do Futuro é a dinâmica das correntes. O Corpo de Bombeiros afirma mudar, diariamente, as 'desobedecidas' placas de sinalização aos banhistas conforme haja vala.

Salvamento

"A onda cava o chão. Isso realmente é um fator que pode produzir afogamento. O maior problema é o desconhecimento", afirma o major Jectan Vital, da 1ª Seção de Salvamento Marítimo (SSMar), que abrange toda a Praia. São nove postos de salvamento, cada um com duplas volantes. A partir de dezembro, e até o Carnaval, o efetivo dobrará.

"Não espere que eles fiquem nas torres", diz o militar, defendendo que correto é circularem. E há uma agravante: com todos os fenômenos naturais, o avanço das linhas das barracas, com seus coqueiros, está dificultando a visão geral dos salva-vidas, aumentando ainda mais o perigo.

Dicas para evitar afogamentos

Não ingerir bebida alcoólica se for ao mar; 

Tomar banho com nível abaixo da linha da cintura

Utilizar área próxima ao posto de Guarda-Vidas

Se deparar com uma corrente de retorno, não lute em contrário.

Nade para o lado antes de seguir para a faixa de praia

Nunca entre no mar sem estar acompanhado

 

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