O que se sabe sobre a combinação de vacinas contra a Covid-19?

Estudos científicos têm indicado respostas imunológicas promissoras na intercambialidade de doses, no entanto, mais pesquisas ainda precisam ser realizadas

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Legenda: Especialista destaca que não há aumento de risco aparente com a intercambialidade de doses. Medida já é prática comum desde 1980, com o HIV.
Foto: Thiago Gadelha

Tema de debate entre a comunidade científica, a combinação de vacinas contra a Covid-19 tem gerado cada vez mais estudos ao redor do mundo. A intercambialidade de imunizantes já está prevista no Ceará e em outros estados para gestantes que tomaram a primeira dose da Oxford/AstraZeneca e completaram o esquema vacinal com a Pfizer/BioNTech. Entenda o que se sabe sobre a questão até o momento.

Algumas pesquisas têm indicado que a mistura de vacinas provavelmente ocasiona respostas imunológicas promissoras, mais do que quando se utiliza um único imunizante.

A observação é de um estudo tailandes realizado por cientistas do Centro de Excelência em Virologia da Universidade de Chulalongkorn, que analisou a reação da vacina CoronaVac em conjunto com a AstraZeneca.

A amostra aponta que a inoculação com os dois imunizantes produz quatro vezes mais anticorpos neutralizantes do que com as duas etapas da CoronaVac. No caso da AstraZeneca, são três vezes mais anticorpos do que o normal.

Os pesquisadores afirmam que, apesar da observação constatada ser importante, não significa que haja a necessidade de estabelecer uma intercambialidade entre as vacinas agora. O estudo ainda não foi revisado por outros pesquisadores.

Segundo outro artigo publicado na revista científica Nature, “a mistura de vacinas contra a Covid-19 está surgindo como uma boa maneira de fornecer às pessoas a proteção de que precisam quando enfrentam problemas de segurança e suprimentos imprevisíveis”.

A publicação informa também que vários estudos têm confirmado a ideia de combinar as vacinas Oxford/AstraZeneca com a Pfizer/BioNTech, a fim de desencadear uma resposta imunológica “semelhante a - ou até mais forte do que - duas doses de qualquer uma das vacinas”.

“Mas pelo menos 16 vacinas foram aprovadas para uso em um ou mais países, e os estudos combinados até agora têm sido pequenos, portanto, ensaios mais extensos e monitoramento de longo prazo para efeitos colaterais são extremamente necessários”, prossegue o texto.

De acordo com o farmacêutico e professor do departamento de Análises Clínicas e Toxicológicas da Universidade Federal do Ceará (UFC), Tiago Sampaio, a combinação de vacinas não é novidade. “Isso já é uma prática comum, desde os anos 1980, com o HIV, diversos imunobiológicos utilizados na melhoria da qualidade de vida dos pacientes utilizavam essas tecnologias diferentes”.

Sampaio pontua que os estudos disponíveis até agora têm apresentado, de fato, uma resposta mais robusta do organismo a longo prazo com a mistura das vacinas, "justamente pensando na possibilidade de não haver a necessidade de repetir esses ciclos vacinais a cada um, três, cinco ou dez anos, por exemplo”.

O objetivo de fazer estudos nesta área, conforme o docente, é tentar frear o desenvolvimento de novas variantes. “Até o momento, as variantes identificadas são neutralizadas pelas vacinas, mas o grande medo da comunidade científica é de o vírus sofrer mutações a ponto de gerar uma variante que não vai ser mais inativada pelas vacinas que nós temos”.

O vírus está mudando tanto e as pessoas estão o transmitindo numa escala tão rápida que pode surgir uma variante que não vai ser inativada pelas vacinas. Então o que os resultados têm mostrado é que, ao se utilizar essa dupla tecnologia, você consegue combater um maior número de variantes”
Tiago Sampaio
Farmacêutico e professor da UFC

Além disso, o farmacêutico destaca que não há aumento de efeitos colaterais dos imunizantes na conjuntura. “Pode-se ter febre, moleza no corpo, cansaço, às vezes um pouco de dor de cabeça ou enjoo, tudo isso pode aparecer numa frequência um pouco maior, mas nada que exponha ao risco”.

Campanha de Vacinação

Até domingo (29), a Secretaria da Saúde do Estado (Sesa) divulgou que 7.628.168 doses de vacinas contra o novo coronavírus foram aplicadas no Ceará. Destas, 5.228.366 destinaram-se à primeira dose, 2.243.184 à segunda e 156.618 à dose única (DU). Já em Fortaleza, até segunda-feira (30), a Prefeitura Municipal informou que 1.813.757 aplicações foram para a D1, 800.666 para a D2 e 27.122 para a DU.

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