Fortaleza concentra mais de 60% dos leitos ativos para tratar pacientes com Covid-19 no Ceará

Com ondas de contaminação simultâneas em Fortaleza e no Interior, possibilidade de transferir pacientes de outros municípios à Capital se torna escassa, pressionando a rede assistencial

Leitos hospital Juazeiro do Norte
Legenda: Diferentemente da primeira onda, o pico de contaminação acontece agora de forma sincronizada em todo o Estado
Foto: Divulgação

Pelo menos 66% das Unidades de Terapia Intensivas (UTIs) disponibilizadas para pacientes com Covid-19 do Ceará estão concentradas em Fortaleza. De acordo com dados da plataforma Integra SUS, atualizados às 15h desta quinta-feira (25), a Capital engloba 567 leitos ativos de UTI, enquanto os demais municípios somam 293. As taxas de ocupação superam os 90% em ambos os cenários.

O padrão de distribuição se repete quanto às enfermarias: dos 1.848 leitos ativos no Ceará, 1.106 (60%) estão em Fortaleza; e 742 (40%), em cidades do interior cearense. Ao todo, 92,8% das UTIs e 71,9% das enfermarias do Estado estão ocupadas. Em Fortaleza, a ocupação dos leitos de alta complexidade está em 94,2%; e as vagas de atenção menos intensiva, 88,5%.

Segunda onda

Com a segunda onda de transmissão atingindo Interior e Capital ao mesmo tempo, gestores e profissionais da saúde demonstram preocupação com os índices. Apesar da abertura de novos leitos nos hospitais regionais, o secretário da Saúde do Estado (Sesa), Dr. Cabeto, afirma que isso não é o suficiente para combater a pandemia.

“Não é preciso só leito: é profissional, equipe, logística de distribuição de oxigênio também. Por isso, precisamos frear a ascensão da curva”, alerta o secretário.

Em entrevista ao Sistema Verdes Mares nesta quarta-feira (24), o gestor afirmou, ainda, que transferências de pacientes a Fortaleza não são possíveis no momento. Em 2020, o deslocamento foi realizado porque a pandemia atingiu primeiro a Capital, de modo que, quando houve a interiorização dos casos, os leitos já estavam aptos a receber infectados de outros locais.

"Uma característica peculiar desse segundo momento que a gente tá vivendo no Ceará em relação à epidemia de Covid, é que, diferentemente daquele primeiro momento, em que a gente teve um aumento somente na Capital para depois haver no interior, nesse momento a gente tá com epidemias simultâneas", afirmou Magda Almeida, secretária executiva de Vigilância e Regulação da Sesa.

Restrições mais rígidas em 170 cidades

Uma lista de recomendações direcionadas a 170 cidades do Ceará foi emitida pela Sesa com o intuito de restringir atividades não essenciais e frear o contágio do coronavírus. O ofício foi enviado para municípios com alerta de “Risco Alto” ou “Risco Altíssimo” de transmissão da Covid-19. As medidas mais restritivas incluem a suspensão de eventos, o controle da saída e entrada de pessoas na cidade e o fechamento de espaços públicos, entre outras.

De acordo com a médica e professora da Universidade Federal do Cariri (UFCA), Emille Sampaio, o aumento dos casos, tanto no interior do Ceará quanto na Capital, pode ser resultado de um acúmulo de acontecimentos, desde as festas de fim de ano e o carnaval, aliados às novas variantes do vírus.

"Todas as ações que de alguma forma foram contra as medidas sanitárias, contribuíram. As atividades de final de ano, que não envolvem só o encontro natalino, mas também a ida para comprar presentes, as confraternizações, em seguida as férias, que acabam envolvendo muitas vezes o deslocamento do interior para a Capital, ou mesmo da Capital para o interior. E agora por último, o carnaval, mesmo com as medidas do Estado, que são acertadas, de suspensão enquanto festividade. Não tivemos nenhuma medida mais rígida de contenção do avanço de outubro para cá, nós estamos vivendo isso nesse último momento, do decreto para cá”, explica.

Diferentemente da primeira onda, o pico de contaminação acontece agora de forma sincronizada em todo o Estado, o que sobrecarrega o sistema de saúde das cidades do interior e traz o alerta para a falta de itens importantes para o tratamento da doença.

“O que acontece é que, no momento em que nós estamos agora na pandemia, temos a necessidade de aumento do número de leitos, aquisição de equipamentos, de mais profissionais, simultaneamente. O que faz com que nós não tenhamos a capacidade técnica que nós tínhamos no momento anterior”, afirma a médica.

 

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