Covid e influenza: qual o protocolo atual e quanto deve durar o isolamento do paciente em cada caso?

O número de trabalhadores afastados com Covid e o efeito econômico motivam redução no isolamento. Mas, da perspectiva científica, o recuo não é consenso

Escrito por Thatiany Nascimento, thatiany.nascimento@svm.com.br

Metro
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Legenda: Apesar da diminuição do tempo de isolamento no Brasil, ainda não há consenso científico que defenda a redução para 7 ou 5 dias
Foto: Fabiane de Paula

O aumento veloz de casos de Covid e, em paralelo, os de influenza - causada pela variante H3N2 -, tem gerado, dentre outros efeitos, o desfalque de profissionais nos postos de trabalho. Muitas vezes, essas pessoas atuam em atividades essenciais. Diante, sobretudo, desse cenário, autoridades sanitárias têm reduzido o tempo de isolamento. No Brasil, essa semana, o Ministério da Saúde publicou a revisão desses prazos para as ocorrências de Covid. 

No decorrer da pandemia, a necessidade de isolamento domiciliar já foi estabelecida em 14 dias no país.

Atualmente, há tempos distintos de afastamento recomendados pelo Ministério da Saúde para cada condição. Na segunda-feira (10), o Governo Federal anunciou o novo protocolo. Confira:  

  • Isolamento de 5 dias: pessoas sem sintomas respiratórios, sem febre e sem uso de remédios antitérmicos há pelo menos 24 horas. Devem realizar a testagem no 5º dia com exames RT-PCR ou Teste Rápido de Antígeno (TR-Ag). Se o resultado for negativo, podem sair do isolamento. Se for positivo ainda, devem manter o isolamento até o 10º dia a contar do início dos sintomas.
     
  • Isolamento de 7 dias: pessoas sem sintomas respiratórios, sem febre e sem uso de medicamentos antitérmicos há pelo menos 24 horas. Nesse caso não é necessário realizar a testagem para sair do isolamento. Mas, quem no 7º dia ainda estiver com sintomas, é preciso realizar a testagem. 
     
  • Isolamento de 10 dias: Pessoas que não realizaram a testagem até o 10º dia, mas estiverem sem sintomas respiratórios e febre, e sem o uso de antitérmico, há pelo menos 24 horas, poderão sair do isolamento ao fim do 10º dia. Nesse caso, não é necessário testar para sair do isolamento. 

Em todas as situações em que o isolamento for encerrado no 5º ou no 7º dia, orienta o protocolo do Ministério da Saúde, as pessoas devem manter as medidas adicionais até o 10º dia.

Dentre recomendações estão: a manutenção do uso de máscaras adequadas, evitar contato com pessoas imunocomprometidas ou que tenham fatores de risco para agravamento da Covid, e não frequentar locais onde não possa usar máscara durante todo o tempo, como restaurantes e bares.

Nos Estados Unidos, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) reduziram o tempo de isolamento recomendado de 10 para 5 dias para pessoas assintomáticas após teste positivo para a Covid-19. Contudo, ainda não há consenso, nem uma base científica robusta, que defenda a redução do isolamento para 7 ou 5 dias. 

testagem covid
Legenda: O isolamento pode ser suspenso no 5º dia do início dos sintomas para pessoas sem febre, sem o uso de medicamentos antitérmicos por 24h e sem sintomas respiratórios. E com resultado não detectado no RT-PCR.
Foto: Thiago Gadelha

O que deve ser considerado para definir os dias de isolamento?

O isolamento adotado na pandemia de Covid separa as pessoas infectadas das não infectadas em um tempo específico, chamado de “período de transmissibilidade da doença”, quando, segundo o Ministério da Saúde “é possível transmitir o patógeno em condições de infectar outra pessoa.

A médica de família e professora do Departamento de Saúde Comunitária da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC), Magda Almeida, explica que o isolamento depende da carga viral. 

“Cada doença, cada gripe, tem o seu tempo de pico de excreção dos vírus. Quando eu tenho a carga viral muito alta, eu transmito mais. Eu tenho a possibilidade de contaminar mais pessoas. E o que a gente tem visto é que esse pico de transmissão (da Covid) depende da variante. As variantes se comportam de forma diferente".
Magda Almeida
Médica e professora do Departamento de Saúde Comunitária da Faculdade de Medicina da UFC
 

De acordo com ela, estudos científicos têm indicado que “a maior parte das pessoas continua com o ciclo de eliminação do vírus entre o terceiro e o sétimo dia. Por isso, o exame é mais sensível do terceiro ao sétimo dia”, explica. 

No caso do isolamento, orienta ela, “manter até o décimo dia é o mais seguro”.

“É quando realmente a pessoa está com a carga viral bem mais baixa e a possibilidade dela transmitir é bem menor. Isso não quer dizer que todo mundo vai ser assim. É uma média. Tem pessoas que passam mais tempo transmitindo. Mas isso é uma média. Um padrão. O isolamento básico e mais seguro é o de 10 dias.” 
Magda Almeida
Médica e professora do Departamento de Saúde Comunitária da Faculdade de Medicina da UFC

Magda reforça que quando a pessoa está assintomática, ela tem a carga viral mais baixa e elimina menos vírus. “Por isso que existe essa diferença na liberação”, afirma. 

Na segunda-feira (10), a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) também se manifestou sobre o assunto. A orientação é de isolamento de 7 dias para pacientes sem febre nas últimas 24 horas e com melhoras dos sintomas. Para aqueles que continuam sintomáticos no 7º dia, o isolamento deve ser mantido por 10 dias. 

No caso da influenza, qual a orientação?

Para a influenza não há um protocolo estabelecido relativo aos dias de isolamento. Autoridades sanitárias recomendam que: 

  • Isolamento de 7 dias: em linhas gerais, pacientes com sintomas como febre, tosse, coriza, dor de garganta, devem passar por um isolamento de sete dias para evitar contaminar outras pessoas. 

A incubação do vírus, nos casos de H3N2 é de três a cinco dias e o período de maior transmissão é de 7 dias. Mas, também é possível que uma pessoa tenha a doença de forma assintomática, e não apresente nenhuma reação.

Conforme Magda, “a influenza é menos problemática, mas não quer dizer que não seja grave”. O tempo dos sintomas, explica ela, é geralmente de 7 a 10 dias. “Se tiver sem sintomas, pode sair mais cedo. Mas no caso da influenza não precisa fazer exames”, orienta.