Cerca de 7% dos casos de Covid-19 no Ceará são registrados em jovens de 10 a 19 anos

Desde ontem (17), foi aberto o cadastro de vacinação da doença para adolescentes na faixa etária de 12 a 17 anos no portal Saúde Digital da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa)

Legenda: A capital cearense concentra o maior número de óbitos e registros positivos para Covid-19 tanto no cenário geral, quanto no grupo de jovens
Foto: Shutterstock

Em meio ao cenário de abertura do cadastro da Covid-19 para adolescentes entre 12 a 17 anos, o Ceará já registra 61.326 ocorrências de casos positivos para a doença na faixa etária de 10 a 19 anos, conforme dados da plataforma IntegraSUS, atualizados às 09h08 desta sexta-feira (18). Esse número representa 7,1% das 861.688 ocorrências contabilizadas no Estado. 

A plataforma de dados da Secretaria de Saúde do Ceará (Sesa) divide o grupo em faixas etárias a cada quatro anos, não tendo o recorte específico de 12 aos 17. No entanto, aponta que de 10 a 14 anos foram 21.138 casos, enquanto de 15 a 19 teve o registro de 40.188 ocorrências positivas para o novo coronavírus. 

Em relação ao número de mortes pela doença, a porcentagem no grupo é ainda menor. Dos 21.967 óbitos pela Covid-19 no Ceará,  69 ocorreram na faixa de 10 a 19 anos, equivalente a cerca de 0,31% do número total. Segundo a plataforma, foram 10 mortes para o grupo de 10 até 14 anos, enquanto o de 12 a 19 contabilizou 59 ocorrências. 

Com a liberação do cadastro do novo coronavírus para o grupo desde a última quinta-feira (17), pais já podem acessar o site Saúde Digital e efetuar a confirmação para a imunização do filho. 

Até o momento, não há previsão do início da imunização do público. A Sesa apontou também que o imunizante da Pfizer foi o único liberado para aplicação nos adolescentes, segundo recomendação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

VACINÔMETRO NO CEARÁ | COVID-19

Cadastro da esperança

Legenda: Mantendo o ensino remoto há mais de um ano, mãe de João relata impactos do novo modelo de ensino na rotina e no sono do filho
Foto: Arquivo Pessoal

Logo que a assistente social Adélia Maria Holanda Silva, 49 anos, soube da inclusão dos jovens de 12 a 17 anos, já buscou o computador para fazer o cadastro do filho. O estudante João Holanda, 14 anos, faz parte do grupo de risco por ter diabetes tipo 1 desde seu primeiro ano de vida, e tem vivido os meses de pandemia com muitas restrições.

Foi alegria demais. Faz um ano que ele não vai para escola e não sai de casa. Isso compromete muita coisa, porque por ser portador de uma doença crônica, tem mais possibilidade de pegar a Covid.
Adélia Maria Holanda
Mãe de João

O cadastro foi preenchido e confirmado ainda na noite de ontem (17), agora aguardam com muitas expectativas a chegada da vacina. “Acho que tem que incluir as crianças no grupo de comorbidades. Conseguimos incluir os adolescentes no grupo da vacinação, mas tem que ter prioridade para o grupo de comobridade”, reivindica a mãe. 

O desejo de receber a vacina se deve principalmente à vontade de garantir a segurança do filho com diabetes. Além disso, também compartilha o sonho de vê-lo retornar para escola e voltar a praticar atividades físicas coletivas, como o basquete e o karatê. 

Com a vacina, vai dar uma segurança. Vai ter que manter os cuidados básicos, mas ao voltar para a escola, ele vai se sentir mais tranquilo”, conclui. 

Impactos da vacinação

Apesar da faixa etária das crianças e adolescentes registrar menos riscos de complicações para a Covid-19, a médica pediatra, Dra. Vanuza Chagas aponta que a vacinação irá contribuir com a imunidade rebanho e refletir até em um retorno mais seguro para a volta às aulas

Quanto mais parcelas da população estiverem imunizadas contra a Covid-19, mais rápido a gente vai conseguir um número que possa induzir a imunidade rebanho. É importante que se encaminhe essa busca para a vacinação da população em geral, em todas as faixas etárias. 
Dra. Vanuza Chagas
Pediatra

No caso da faixa pediátrica, a Dra.Vanuza coloca que o maior risco de complicação se deve ao que chamam de Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIMP), mas que costuma acontecer com crianças menores de um ano com doenças crônicas, pulmonares ou autoimunes. 

“É uma pequena parcela se complica, mas mesmo diante disso, é importante que se tenha uma vacinação desta faixa etária, porque a gente não sabe quem vai complicar ou não. É uma doença nova, infelizmente a gente vê mesmo crianças sem nenhuma comorbidade evoluir para internamento”, finaliza.

Cenário de casos em Fortaleza

Em meio aos casos de contaminação pela doença, a capital cearense concentra o maior número de óbitos e registros positivos para Covid-19 tanto no cenário geral, quanto no grupo de jovens. De 244.676 notificações do novo coronavírus em Fortaleza, 12.081 eram de crianças e adolescentes de 10 até 19 anos, equivalente a aproximadamente 4,9%. 

Já em relação ao número de mortes, foram 8.988 registros totais na capital, enquanto somente 24 eram do grupo de jovens, representando menos de 0,27%. Com 21 registros entre 15 a 19 anos e somente 3 óbitos entre 10 a 14. 

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