Ceará não confirma casos de reinfecção por Covid-19, mas Sesa investiga 183 pacientes com suspeita

Testes positivos em dois momentos diferentes também podem indicar impactos a longo prazo da doença ou recorrência de sintomas

Legenda: Novos resultados de pesquisas sobre o tema no Ceará devem ser divulgados ainda em dezembro.
Foto: José Leomar

O Ministério da Saúde reconheceu oficialmente, nessa quinta (10), o primeiro caso de reinfecção por Covid-19 no Brasil em uma profissional da saúde do Rio Grande do Norte. No Ceará, 183 casos de pessoas que testaram positivo duas vezes para a doença são investigados pela Secretaria Estadual da Saúde (Sesa), mas a Pasta ainda não classifica nenhum deles como reinfecção por defender a necessidade de estudos mais aprofundados.

Em boletim epidemiológico do último dia 9 de dezembro, a Secretaria Municipal de Saúde de Tauá confirmou o primeiro caso de recorrência da Covid-19 no município do Sertão dos Inhamuns. A paciente era uma idosa de 72 anos que faleceu no dia 2 de dezembro e havia testado positivo pela primeira vez em julho. “A equipe da Vigilância Epidemiológica do município completou a investigação através da coleta de dados, por ocasião de visita domiciliar e investigação dos contatos intradomiciliares”, informa.

> Saiba o que é preciso para confirmar um caso de reinfecção

Contudo, o infectologista Keny Colares, consultor da Escola de Saúde Pública do Ceará (ESP) e pesquisador de casos de recorrência de sintomas da Covid-19 no Estado, recomenda cautela antes de classificar a positividade seguida como “reinfecção”. Isso porque as análises podem indicar também possíveis casos de long covid (covid longo) ou recorrência de sintomas.

“Talvez tenha havido uma certa dificuldade de compreensão em já rotular como caso de reinfecção. Há uma suspeita, junto com as outras que já existiam, que precisam ser confirmadas. Acho que houve uma certa precipitação ou se confundiram um pouco, mas é um caso que vai ser estudado”, assegura o médico.

Colares lembra que, na última nota técnica emitida pela Sesa, em outubro, 12 casos foram confirmados como sintomas recorrentes. Porém, o número deve ser atualizado em um novo documento, que deve ser publicado ainda neste mês de dezembro. “Sempre tem alguns casos que parecem mas, quando a gente vai avaliar em detalhes, não preenchem os critérios de recorrência”, diz.

Análises em curso

No momento, 183 pessoas com duas amostras de RT-PCR (exame com cotonete nasal) positivas para a doença são investigadas no Ceará, de acordo com o Plano Estadual de Contingência contra a Doença pelo Coronavírus, divulgado pela Sesa nesta semana. Destas, 95 são mulheres e 88 são homens, com idade média de 49 anos. Fortaleza tem 83 casos em apuração.

“Para avaliação desses casos, já foram contactadas 77 pessoas, 24 visitas realizadas, 12 visitas agendadas, com seis recusas e 35 pessoas foram descartadas por não se enquadrar nos critérios de inclusão. Não foi realizado contato com 50 pessoas, ou por não atender o telefone ou por falta de contato nos bancos oficiais. Restam ainda 56 pessoas para a avaliação”, detalha a Pasta.

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