Após quase 3 anos de obra, entrega da ‘nova’ Beira-Mar fica para final de 2021; veja o que mudou

A reestruturação que, há anos, é debatida e esperada, ganhou forma em parte da orla. Até o momento, 93% dos trabalhos foram executados

Escrito por Thatiany Nascimento thatiany.nascimento@svm.com.br
14 de Junho de 2021 - 07:00 (Atualizado às 14:54)
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Legenda: Corrida terá como palco a avenida Beira-Mar, em Fortaleza.
Foto: Gustavo Pellizzon

Em agosto de 2018, a Prefeitura de Fortaleza começou a tão esperada obra na Avenida Beira-Mar. Quando isso aconteceu, o debate sobre a necessidade da reestruturação já ocorria há, pelo menos, 16 anos na cidade. Hoje, quase 3 anos após ter sido iniciada, a obra está 93% concluída. Na nova Beira-Mar, parte das mudanças foram entregues durante a pandemia de Covid, período no qual a circulação da população tem sido diferenciada. E o que, de fato, mudou naquela região? 

A obra é complexa e contempla cerca de 3 km que vão do Mercado dos Peixes ao Espigão da Rui Barbosa. Em agosto de 2018, a previsão era que duraria 24 meses, mas ainda segue em curso.

R$ 123 milhões
É o valor total da obra, segundo o titular da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinf), Samuel Dias. Isso considerando os diversos contratos de cada etapa. 

Entre elogios e queixas, quem circula pela Beira-Mar, um dos relevantes espaços tanto para moradores quanto para turistas, hoje percebe características diferenciadas. Algumas das mudanças, que até chegaram a ser idealizadas por antigas gestões, ganharam forma nos últimos anos. Na recente estimativa, Fortaleza conhecerá completamente a nova Beira-Mar até o fim de 2021.

O que já foi entregue?

No projeto, segundo o titular da Seinf, Samuel Dias, estava prevista “uma grande requalificação da infraestrutura, das calçadas, e da pavimentação”. Essas intervenções já podem ser conferidas, se não em sua totalidade, em caráter bem adiantado.  

Do que já foi entregue, um dos principais diferenciais em relação ao cenário anterior é a engorda do aterro já existente na Praia de Iracema, e a criação de outro, no trecho entre os espigões da Av. Rui Barbosa e a Av. Desembargador Moreira, com o avanço de 80 metros rumo ao mar. 

Com o aterramento realizado, houve a estruturação de uma via paisagística com calçadão e três pavilhões multiusos: para pedestres, para ciclistas, e um com quiosques de alimentação e bebidas. Essa última parte ainda está em construção.  

Uma ciclovia e uma pista de cooper com 2,6 km de extensão também fazem parte dessa estrutura.  

Outra mudança em relação ao cenário anterior é a criação de 350 vagas de estacionamento ao longo da avenida.  

Outro diferencial é a instalação da nova iluminação, com fiação embutida, garantido melhoria estética. 

Nos trechos reestruturados também houve acréscimo de espaços para a convivência e a instalação de um banheiro - dos sete que ainda deverão ser finalizados - , que no cenário anterior não havia. Além da reforma de quadras de vôlei de praia, pista de skate e anfiteatro

O que ainda falta?

Dentre o que ainda precisa ser finalizado, estão os quiosques que irão substituir as barracas de praia, explica o secretário Samuel Dias, e acrescenta que as “antigas estruturas estavam feitas ali até de forma improvisada”. 

“É uma obra que demora um pouco mais para ser feita porque na Beira-Mar não é possível que se faça um fechamento para que ela seja executada. Ela tem que ser executada com o trânsito de pessoas, com movimentação acontecendo”.
Samuel Dias
Secretário Municipal de Infraestrutura

Segundo a Regional 2 a Prefeitura de Fortaleza deverá estruturar 40 quiosques comerciais padronizados. Desses, apenas três já estão edificados e têm cinco pontos comerciais em funcionamento. Os quiosques serão ocupados por quem antes atuava nas barracas. 

Dos 40 quiosques idealizados, apenas três já estão edificados, com cinco pontos comerciais em funcionamento.
Legenda: Dos 40 quiosques idealizados, apenas três já estão edificados, com cinco pontos comerciais em funcionamento.
Foto: Kid Júnior

No atual momento, os trabalhadores que atuavam nas barracas e ainda não foram instalados nos quiosques, conforme a Regional 2, “estão em contêineres provisórios destinados à finalidade”.

Outro ponto que também foi prometido na obra é a reestruturação da Feira de Artesanato da Beira-Mar. Conforme o projeto, a área em que ocorrem as vendas ganhará novo piso, iluminação e zoneamento com padronização dos boxes comerciais. 

Na feira, segundo a Regional 2, neste momento, 662 permissionários estão cadastrados para atuar nos boxes. 

Tanto a feira como os quiosques, segundo Samuel Dias, devem ser entregues completamente concluídos até o final de 2021. Hoje, a feira funciona em uma parte do novo calçadão, entre o espigão da Av. Desembargador Moreira e a Rua Nunes Valente.

A atividade ficou suspensa um período devido à pandemia e foi liberada no final de maio para funcionar 50% da capacidade, com turnos alternados de trabalho alternados e 331 boxes abertos por dia. 

Outra intervenção prometida, mas que ainda deverá ser concluída é a estruturação de um espaço destinado às embarcações, com 18 guarderias e rampa de acesso na Enseada do Mucuripe.

No caso dos sete complexos de banheiros só há um concluído. A manutenção desse espaço, que não existia na antiga estrutura, de acordo com a Regional 2, está a cargo da empresa Imperial, vencedora da licitação.

Uma demanda histórica  

Embora as promessas tenham algumas distinções em cada gestão municipal, a necessidade de revitalização da Beira-Mar começou a ganhar ênfase ainda em 2002. Desde então, foram  muitas polêmicas e até disputas judiciais. 

Em 2009, um Concurso Nacional de Ideias para reestruturação da Beira-Mar foi organizado pelo Instituto de Arquitetos do Brasil no Ceará (IAB-CE) e realizado na gestão de Luizianne Lins. Na época, o projeto, assinado pelos arquitetos Fausto Nilo, Ricardo Muratori e Esdras Santos, venceu.

Durante a gestão do prefeito Roberto Cláudio, a obra começou a sair do papel, com a assinatura da ordem de serviço em julho de 2018 e início das obras em 21 de agosto. 

O desenho do novo espaço da feira é um dos que, segundo o IAB, não corresponde ao projeto original vencedor do concurso de ideias
Legenda: O desenho do novo espaço da feira é um dos que, segundo o IAB, não corresponde ao projeto original vencedor do concurso de ideias
Foto: Thiago Gadelha

O presidente do IAB-CE, Jefferson John, explica que o projeto executado da nova Beira-Mar é totalmente diferente no ganhador do concurso de ideias. Dentre os exemplos, ele menciona, a estrutura do Mercados dos Peixes, os desenhos dos quiosques, dos banheiros e o novo formato da Feira. “A proposta arquitetônica era diferente", reforça. Além disso, pondera que alguns pontos precisam de atenção, principalmente, a paisagem. Segundo ele, o cenário- que é o principal potencial, não está sendo preservada.

"Nós temos um grande calçadão, um espaço que fugiu dessa escala humana, e de contato visual com o mar. E temos outro ponto que é, em vários momento, criaram edificações (na Beira-Mar) que impedem de ter contato visual com a praia. Estamos perdendo porque nós enchemos a praia de edificações.". 
Jefferson John
Presidente do IAB-CE

Ele avalia que a organização do sistema viário é uma melhoria geradas pela reestruturação, e acrescenta “tem a troca da pavimentação, uma obra de drenagem feita. Esperamos que seja resolvido aquele problema antigo de drenagem. A recomposição do aterro, que é um exercício contínuo e foi importante. Isso é fundamental para a recuperação da nossa orla”. 

Edição do Dia