Maior peixe-leão do mundo é capturado em Fernando de Noronha; espécie é invasora e peçonhenta
Animal ultrapassa os recordes documentados anteriormente, registrados na Venezuela e nos Estados Unidos
O maior peixe-leão do mundo foi capturado no arquipélago pernambucano de Fernando de Noronha, no fim de fevereiro, por mergulhadores treinados pelo Instituto Chico Mendes da Biodiversidade (ICMBio), que divulgou o achado nesta terça-feira (11). O animal de 49 centímetros ultrapassa os recordes documentados anteriormente, registrados na Venezuela (45,7 cm) e nos Estados Unidos (47,4 cm).
A espécie originária do Indo-Pacífico é considerada invasora na costa brasileira, por não possui predador natural, permitindo a livre reprodução. Além de representar um risco para a fauna local, ainda pode ser prejudicial à saúde humana, pois é peçonhento.
Veja o peixe-leão
O coordenador do Projeto Conservação Recifal, Pedro Pereira, destaca que o tamanho do animal capturado por mergulhadores da empresa Sea Paradise, parceira do ICMBio, é um alerta, já que indica a alta disponibilidade de alimento.
“Isso representa que os peixes-leão em Noronha realmente estão crescendo muito porque eles têm bastante presa, entre os alimentos estão os peixes locais. Então, isso é bem preocupante, devido aos impactos que eles podem causar na biodiversidade de Noronha”, explica o gestor.
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Peixe-leão pode ser prejudicial ao meio ambiente
A primeira vez que a espécie foi identificada no Brasil aconteceu em 2014. Em Noronha, foi em 2020. O peixe tem uma alta taxa reprodutiva, podendo liberar até 30 mil ovos por vez. O apite dele também é alarmante, já que pode consumir até 20 peixes em 30 minutos, impactando severamente as populações de animais nativos.
Desde o início das operações de captura, mais de 1,2 mil exemplares da espécie foram removidos do arquipélago. Em 2025, cerca de 200 animais já foram retirados do ambiente marinho local. Somente no último domingo (9), 61 peixes-leão foram capturados em um único mergulho da Seo Paradise, parceira do ICMBio.
“Podemos dizer que é um recorde triste, pois confirma o quanto esses bichos estão adaptados ao ambiente marinho de Noronha”, lamenta o instrutor de mergulho Fernando Rodrigues.
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