Professores orientam sobre como enfrentar o medo das provas de Ciências da Natureza

Aproximar a ciência do cotidiano dos alunos está entre as formas de desestigmatizar o medo que disciplinas como Física, Química e Biologia despertam em parte dos alunos que vão fazer o Enem

Legenda: Além dos estudos tradicionais, novas ferramentas de ensino auxiliam os estudantes a expandirem o aprendizado
Foto: Shutterstock

"Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma". A frase que ficou conhecida graças às experiências do francês Antoine Lavoisier, considerado o pai da química moderna, ajuda os estudantes a compreenderem melhor os conteúdos que são avaliados na prova de Ciências da Natureza e suas tecnologias no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). 

Entre outras competências, espera-se que os estudantes compreendam interações entre organismos e ambiente, em particular aquelas relacionadas à saúde humana, relacionando conhecimentos científicos, aspectos culturais e características individuais. Lavoisier, por exemplo, observou que o oxigênio produzia a combustão quando em contato com uma substância inflamável. Dessa forma, baseado em reações químicas, deduziu a célebre lei da conservação da matéria que inicia esse texto.

Entretanto, os conteúdos de Química, Física e Biologia nem sempre são vistos de maneira simples pelos estudantes. Professores entrevistados pelo Diário no Enem deram algumas dicas para enfrentar as principais dificuldades que são apontadas pelos alunos em relação a essas disciplinas. 

Encarar as provas sem medo é uma orientação importante dada pelo professor de Física Renato Pinheiro. “A dita visão da ‘Física temida’ vem do pensamento que durante muitos anos foi transmitida a ideia que para aprender Física tem que saber Matemática, que a nova geração de professores vem mudando essa ideia. Sim! É necessária uma boa base matemática, mas não é o principal, tanto que os alunos gostam muito dos experimentos de laboratório, aplicações teóricas, ficção científica, suas teorias, astronomias”, explica o professor que é licenciado em Física e tem mestrado em Ciências Físicas Aplicadas pela Universidade Estadual do Ceará (Uece). 

Legenda: Renato Pinheiro, professor de Física
Foto: Acervo pessoal

Para Renato Pinheiro, o desenvolvimento das novas ferramentas de ensino interativo, como jogos, simuladores, implementação de ensino de astronomia nas escolas, entre outras iniciativas, é fundamental para preparar melhor os alunos para as provas do Enem. O professor de Física reforça que para uma forma de enfrentar melhor o medo da prova é “praticar bastante resolvendo questões e fazendo resumos teóricos de conceitos”. Uma outra dica é, na reta final, dar uma atenção extra aos temas que se apresentam com mais frequência. 

Trabalhar os conteúdos de forma mais transdisciplinar é um projeto que o professor de Física vem pondo em prática. “Tenho um desejo de trabalhar com literatura científica e humor científico com os alunos, porém os currículos do ensino de Física ainda são muito engessados. Aos poucos estão sendo mudando e implantadas novas ferramentas de ensino não “tradicionais”, avalia.

Fundamentos

O professor com licenciatura em Química pela Uece, Marcos Antônio de Oliveira Pinto, também considera importante ter conhecimento fundamentais de Matemática que são utilizados nos cálculos. “A Matemática do Ensino Fundamental I e II é muito importante para os cálculos químicos”, ressalta.

Marcos Pinto destaca ainda que o Enem é considerado também uma prova de resistência. O professor de Química do Ensino Médio orienta ainda que os candidatos ao Enem priorizem a organização de um horário de estudo.  “O aluno deve estar preparado não só com o conhecimento, mas também psicologicamente e, por que não dizer, até fisicamente”, ressalta. Ele avalia que, eventualmente, a Matemática chega a ser mais explorada do que o próprio conceito químico. 

Legenda: Marcos Pinto, professor de Química
Foto: Acervo pessoal

“Muita atenção aos conteúdos do segundo ano do Ensino Médio, principalmente na parte de físico-química (soluções, físico-química, eletroquímica) e, na parte de química orgânica, às reações orgânicas. Muita leitura principalmente de alguns termos técnico-científicos para aplicação e trabalhar a parte de Matemática, destacando as proporcionalidades, as razões, algumas funções logarítmicas e as operações fundamentais”, explica o professor.

Biologia

Na Biologia, o professor Magno Pinto, considera que conteúdos como cruzamentos genéticos, bioquímica, embriologia geral e humana e fisiologia animal e vegetal estão entre os que os estudantes apresentam mais dificuldades. 

O professor graduado em Ciência e em Biologia e especialista em gestão escolar sugere aos alunos que vão fazer provas do Enem a trabalhar o hábito da leitura, ter uma agenda de estudos diária e participar de aulas práticas, aulas de campo e feiras científicas. “O domínio de conteúdos básicos de Matemática e Química, as resoluções de questões associadas a cada conteúdo e a realização de cursos de revisão em horário extra classe são caminhos que podem colaborar para que os estudantes superem as dificuldades”, explica Magno Pinto.  

Legenda: Magno Pinto, professor de Biologia
Foto: Acervo pessoal

Museus de Ciências

Uma forma de perceber as ciências mais perto do cotidiano é conhecendo e visitando museus que contam um pouco mais sobre a história da humanidade e das ciências. Com a pandemia do novo coronavírus, muitas unidades suspenderam temporariamente as visitas, mas parte desses conteúdos também pode ser acessado pela internet.

 Sites como o da Seara da Ciência, da Universidade Federal do Ceará (UFC), e do Museu da Vida, da Fundação Oswaldo Cruz, divulgam informações e projetos relacionados às ciências. O Museu Americano de História Natural, fundado em 1869 em Nova York, conta com exposições que também podem ser visitadas de forma remota. 

Fontes:
Renato Pinheiro, de Física; Marcos Pinto, Química; Magno Pinto, de Biologia.

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