Dia da Escola: professores e alunos relembram por fotos o lugar de formação acadêmica e social
A partir de fotografias, alunos e professores compartilham vivências no ambiente escolar e refletem o impacto na formação profissional e humana de cada um
As conversas no pátio, os jogos na quadra, as experiências trocadas na sala de aula, os laços formados com colegas de classe. Todas as vivências proporcionadas pelo ambiente escolar ajudam a moldar o desenvolvimento social de alunos e professores, não só a formação acadêmica.
No Dia da Escola, comemorado nesta segunda-feira (15), alguns lembram os anos de colégio com nostalgia, outros aguardam ansiosamente o retorno das aulas presenciais para voltar a conviver na escola.
Para Padrya Bucar (48), a escola Nossa Senhora das Graças, em Fortaleza, era como uma segunda casa. A presença familiar dos colegas, o envolvimento dos pais na educação dos filhos, as aulas de vôlei e os encontros na pracinha próxima da escola marcaram a vida da ex-aluna. Padrya lembra dos dias de colégio com afeto mesmo após 30 anos da finalização dos estudos.
“Qualquer espaço que tinha, a gente ficava na escola, pelas amizades e conversas. A escola era aberta, os portões nunca se fechavam”, lembra. Padrya hoje mora na Itália, mas sempre que vem à Fortaleza volta a encontrar os amigos da escola.
A calçada na frente da escola ainda é o palco dos reencontros que, quando acontecem, transportam todos para a época em que eram jovens alunos, nos anos 1980.
“O legal é que tenho na minha cabeça como eles eram, não como eles são hoje. Nós temos juízes, médicos, mas começamos a falar dos apelidos”.
Aprender com o outro
O ponto de encontro no pátio, do lado da cantina da escola, é onde Maria Mirela Lima (13) quer voltar a encontrar os amigos quando as aulas presenciais forem retomadas.
Longe do colégio há quase um ano, a conversa com os colegas “frente a frente” é do que sente mais falta. “A gente já conversa, mas não com a mesma frequência. Lá a gente se via todo dia, ficava mais fácil”.
Mirela acredita que o papel da escola não é só educar. Conhecer pessoas novas, fazer amizades, entender as experiências por diferentes vivências é também parte da escola. “Não são experiências só do conteúdo, mas a gente aprende com o outro”, diz.
Espaço de acolhimento
Para a professora Maria do Socorro Nogueira (44), da escola municipal Francisca Amélia da Silva, localizada no município de Barreira, interior do Ceará, a experiência em sala de aula vem desde 1994.
Após 27 anos de profissão, a psicopedagoga percebe as mudanças desde o início de sua trajetória, dentre elas, a utilização das novas tecnologias.
“Nós podemos hoje usar as atividades impressas, coloridas, podemos usar o recurso do Projetor Data Show que prende a atenção dos estudantes. O positivo é isso, os recursos propõem a escola um novo olhar no ensinar, nova formação do professor, precisa também querer se formar nessa perspectiva tecnológica”, aponta.
No entanto, restam saudades dos primeiros anos de ensino, quando ainda eram utilizados lousa, giz e o mimeógrafo, instrumento que fazia cópias de papel escrito em grande escala. “Os alunos eram mais afetivos, atenciosos. Eles também tinham mais interesse”, aponta.
Apesar de todas as graduais mudanças, Socorro vê a escola como um espaço que possibilita a interação do professor com o aluno, assim como do professor com as famílias. Com isso, “podemos construir esse espaço em que o aluno seja sociável e que ele consiga conviver em sociedade”, reflete.
Por fazer parte do atendimento educacional especializado e trabalhar com foco em alunos com deficiência desde 2016, percebe com ainda mais clareza a importância do espaço presencial.
Em sua visão, ele tanto possibilita a integração do aluno com deficiência no espaço escolar, quanto faz com que os outros convivam e compreendam que esses estudantes são capazes.
“Somos diferentes, porém iguais nos nossos direitos e o relato deles é de muita saudade da escola. Alunos que fazem vídeo chamada e perguntam quando vamos voltar. Faz muita falta o espaço físico, porque temos todo um aconchego, uma afetividade”, finaliza.
Repassar cultura e valores
Além de ver os jovens da Escola Aba Tapeba como alunos, o professor de educação física André Gomes Couto os enxerga como filhos. “O aluno chega na escola todo negativo, a gente traz eles, cativa os alunos, para que se trabalhe da melhor forma possível”.
A escola, para ele, é um espaço importante para repassar a cultura indígena para as crianças e adolescentes.
“Nós contamos nossos costumes, nossa história pra eles, pra que eles nunca esqueçam das raízes”, conta André. Para ele, muitas circunstâncias “atrapalham” a educação dos alunos.
Em um cenário de vulnerabilidade socioeconômica, os professores têm de lidar com a violência, a fome, a falta de acesso a internet e a tentação das drogas que permeiam a vida em comunidade dos alunos. Em meio a tudo isso, a escola vira refúgio.
“Tentamos pegar nossos alunos e colocar na cabecinha deles que eles sejam pessoas de bem no futuro. Eu tenho alunos que tinham problemas com drogas, problemas familiares, que hoje, com nossa convivência na escola, a gente já mudou essa forma de pensar deles”, diz o professor.
A dedicação para superar as dificuldades do ensino remoto tem o objetivo de continuar levando o acolhimento e a educação para a comunidade indígena em Caucaia.
Manter o mesmo nível de contato de antes, com as aulas presenciais, é desafiador. “A minha escola é assim. A gente chega junto mesmo. A gente tenta contornar a situação da melhor forma possível”.