Irã nega versão de Trump e diz que abateu três aeronaves militares dos EUA durante resgate de piloto
Mídia estatal iraniana divulgou imagens de destroços queimados em uma área desértica.
Após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter afirmado que a operação de resgaste de um piloto americano em terras iranianas foi um sucesso, diante da queda de um jato estadunidense na última sexta-feira (3), forças armadas do Irã negaram a versão do político.
Neste domingo (5), elas confrontaram a fala do presidente ao afirmar que três aeronaves militares dos EUA foram abatidas durante a operação de resgate do piloto. Além disso, destacaram que a ação americana "fracassou completamente".
Porta-voz do comando central militar iraniano, Ebrahim Zolfaghari declarou: “A suposta operação de resgate do exército americano, planejada como uma missão de engano e fuga em um aeroporto abandonado no sul de Isfahan sob o pretexto de recuperar o piloto de um avião abatido, foi completamente frustrada”.
Another scandal for Trump: American helicopters destroyed in south of Isfahan, Iran. pic.twitter.com/iSbUdxcvIT
— IRNA News Agency ☫ (@IrnaEnglish) April 5, 2026
A mídia estatal iraniana divulgou imagens de destroços queimados em uma área desértica, de onde ainda saía fumaça. Iniciada em 28 de fevereiro com bombardeios israelo-americanos contra o Irã, a guerra já entrou no segundo mês. As informações são do jornal O Globo.
Entenda o contexto
O jato onde o militar americano estava, o caça F-15E, foi abatido por defesas aéreas iranianas em uma região montanhosa no sudoeste do país. Dois tripulantes estavam a bordo e conseguiram ejetar antes da queda.
Enquanto um dos militares foi localizado e salvo pelos Estados Unidos poucas horas após o incidente, o segundo permanecia desaparecido até então.
A busca pelo tripulante do F-15E tornou-se uma "corrida contra o relógio". Para se ter ideia, o regime iraniano mobilizou tropas por terra e ofereceu uma recompensa de US$ 60 mil (cerca de R$ 300 mil) para moradores que ajudassem a capturar o piloto americano.
Neste domingo (5), Trump publicou em uma rede social: "Nas últimas horas, as Forças Armadas dos EUA realizaram uma das operações de busca e resgate mais ousadas da história dos EUA, para um de nossos incríveis oficiais de tripulação. (...) Nunca deixaremos um combatente americano para trás".
Foi a primeira vez na guerra que aviões tripulados dos EUA são abatidos dentro do território iraniano. Donald Trump, que anteriormente havia declarado que a defesa aérea do Irã estava fragilizada, deu um ultimato de 48 horas para que o país aceitasse um acordo, sob ameaça de ataques severos a infraestruturas de energia e petróleo.
Reação do Irã ao 'ultimato' de Trump
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abás Araqchi, manteve conversas com representantes do Paquistão e do Egito, que tentam mediar uma saída diplomática para o conflito.
Por sua vez, o general Ali Abdollahi Aliabadi classificou a ameaça como “uma ação impotente, nervosa, desequilibrada e estúpida” e disse que “as portas do inferno se abrirão para eles”.
Veja também
Em meio à guerra, o Irã executou dois homens acusados de atuar em nome de Israel e dos Estados Unidos durante protestos recentes, segundo o Judiciário.
O mundo sente os efeitos da guerra de modo amplo. O fechamento do estreito de Ormuz — por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial — elevou a tensão nos mercados.
Países do Golfo voltaram a relatar ataques. Nos Emirados Árabes Unidos, houve incêndio em uma instalação petroquímica após interceptação de disparos iranianos.