Como vai funcionar a volta das petrolíferas americanas para a Venezuela

Os EUA realizaram um ataque contra o território venezuelano no sábado (3)

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Redação producaodiario@svm.com.br
Donald Trump discursa em um púlpito com o selo presidencial dos Estados Unidos, durante coletiva de imprensa, com bandeiras ao fundo e assessores posicionados atrás dele em um palco com cortina azul.
Legenda: Em coletiva após ataques de EUA a Venezuela, Trump garantiu o retorno das empresas petrolíferas estadunidenses a Venezuela.
Foto: Jim Watson/AFP.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teve o "petróleo venezuelano" como uma das peças chaves no discurso feito após a operação militar dos EUA na Venezuela neste sábado (3). Na ocasião, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e a primeira-dama, Cilia Flores, foram levados para Nova York. 

Ao elogiar o ataque ao território venezuelano, que chamou de "operação extraordinária", Trump garantiu que as companhias petrolíferas dos EUA devem retornar a Venezuela, após anos de embargo dos Estados Unidos ao petróleo venezuelano. 

"Vamos fazer com que nossas gigantescas companhias petrolíferas dos Estados Unidos, as maiores do mundo, entrem em cena, gastem bilhões de dólares e consertem a infraestrutura petrolífera, que está em péssimo estado”, disse Trump, durante coletiva de imprensa no Mar-a-Lago.

Trump tratou a indústria petrolífera na Venezuela como tendo sido "roubada" dos EUA. "Nós construímos toda aquela indústria lá, e eles só tiraram de nós como se fôssemos nada", disse ele, em referência a estatização das companhias petrolíferas pelo Governo de Hugo Chávez.  

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Existem, no entanto, entraves para uma reestruturação, liderada pelos EUA, da indústria petrolífera da Venezuela. 

Primeiro, há dificuldades estruturais no setor, que hoje produz 1 milhão de barris por ano, e que precisaria de investimentos na ordem de US$ 58 bilhões para chegar ao nível máximo de produção – o que pode levar entre 5 e 10 anos, ou até mais. 

Pode pesar ainda o receio das companhias petrolíferas dos Estados Unidos de voltarem a se instalar na Venezuela, que está em uma situação instável sob a intervenção dos EUA. Muitas dessas empresas ainda tentam obter indenizações pela estatização das indústrias no território venezuelano. 

Por último, ainda é considerada incerta qual será a posição da China – que pediu a soltura imediata de Maduro. O governo chinês passou a ser o maior investidor na indústria petrolífera da Venezuela após os embargos dos EUA ao petróleo do país sul-americano. 

Maior reserva de petróleo do planeta

A Venezuela possui a maior reserva comprovada de petróleo do planeta, com reservas de cerca de 303 bilhões de barris de petróleo bruto.

Contudo, nem todo o potencial de produção é aproveitado: são produzidos 1 milhão de barris por ano, o que representa cerca de 0,8% do total mundial de petróleo bruto. Para efeitos de comparação, o Brasil produz 5 milhões, os EUA, 13 milhões e a Arábia Saudita, 12 milhões. 

Segundo a CNN, a atual produção venezuelana representa menos da metade da anterior à tomada de poder de Maduro em 2013 e menos de um terço dos 3,5 milhões de barris produzidos antes da ascensão do regime socialista ao poder.

A atual produção na Venezuela, portanto, não é considerada suficiente para que o ataque dos EUA contra Caracas possa elevar tanto o preço do barril de petróleo. Especialistas apontam que a oscilação deve ficar entre US$ 2 e US$ 3. 

Apesar de um forte interesse de Trump em reconstruir a indústria petrolífera da Venezuela, e com isso ter o controle sobre a produção, ainda não é certo qual deve ser o efeito da operação militar sobre o setor em um curto espaço de tempo. 

Para os Estados Unidos, voltar a ter acesso ao petróleo venezuelano pode ser importante, já que ele é mais barato e geograficamente mais próximo – além das empresas estadunidenses terem refinaria adaptada para o tipo de petróleo da Venezuela, que é mais bruto e ácido. 

Essa tipo de petróleo é fundamental para produtos derivados do refino, como asfalto e diesel, este último está em falta no mundo inteiro. 

A perspectiva de que os EUA controle o governo venezuelano, conforme dito por Trump, pode acelerar o retorno das empresas petrolíferas estadunidenses para a Venezuela, mas não se sabe quando isso ocorrerá – o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da Venezuela ordenou que a vice-presidente Delcy Rodríguez assuma como interina e há dúvidas sobre o prazo para novas eleições.

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