Transexual cearense é morta a facadas dentro do próprio apartamento na Itália

Manuela de Cassia foi encontrada após os vizinhos sentirem um forte cheiro de gás vazando de dentro do imóvel.

Manuela de Cássia foi encontrada após os vizinhos sentirem um forte cheiro de gás vazando no apartamento onde aconteceu o crime
Legenda: Manuela de Cássia foi encontrada após os vizinhos sentirem um forte cheiro de gás vazando no apartamento onde aconteceu o crime
Foto: Reprodução/Facebook

Uma transexual cearense, identificada como Manuela de Cassia, foi morta a facadas dentro do próprio apartamento onde morava em Milão, na Itália, na tarde desta segunda-feira (20). 

Ela foi encontrada após os vizinhos sentirem um forte cheiro de gás vazando no apartamento onde aconteceu o crime, segundo informam jornais italianos.

Uma das principais hipóteses é que ela foi assassinada por um cliente durante uma briga, no fim de um atendimento. 

Conforme a polícia italiana, ela trabalhava como acompanhante e, por vezes, chegava a receber clientes em casa.

O suspeito de cometer o crime ainda não foi identificado, até a publicação desta matéria.

Além de se solidarizar com a família e amigos da artista transexual, a Secretaria da Proteção Social, Justiça, Cidadania, Mulheres e Direitos Humanos (SPS) informou em nota que, "por meio da Coordenadoria de Políticas Públicas para LGBT, está em contato com o Ministério da Cidadania solicitando o acompanhamento e as providências a serem tomadas pelo órgão federal". 

A SPS também declarou que está "unindo esforços" com a Prefeitura de Fortaleza, por meio do Centro de Referência Janaína Dutra, e com a Defensoria Pública para dar o "apoio necessário".

Por fim, a Secretaria diz repudiar "todo e qualquer ato de violência e intolerância", reafirmando ainda "seu compromisso com a construção de uma sociedade justa e inclusiva, sem discriminação e com respeito à dignidade humana".

'Onda de ódio'

Travesti e ativista da Rede Trans Brasil, Dediane Souza acredita que o Brasil e o mundo vivem uma "onda de ódio" contra os corpos de transexuais e travestis. Isso porque, segundo ela, são frequentes os registros de mortes violentas envolvendo essas pessoas. 

"O requinte de crueldade é presente no modus operandi dos assassinatos. Nada explica uma pessoa assassinar a outra com 50 perfurações de faca que não seja o ódio. Não sabemos explicar o quanto de ódio esse algozes têm sobre nossos corpos", diz. 

Embora não fosse próxima de Manuela, a ativista afirma que Manuela era uma pessoa muito querida. "Nesse momento, o que a gente pode [fazer] enquanto ativista e representante do órgão público dessa categoria é se solidarizar com os familiares e lutar até o último segundo para que esse crime não seja impune. Foi uma vítima e, a qualquer momento pode ser outra", declara ainda Dediane, que também atua como coordenadora executiva da Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual (CMPDLGBT).

"A gente vai, com nossa expertise, com nosso ativismo, reivindicar justiça e que minimamente essa pessoa tenha dignidade pós morte. Mesmo após assassinato, as travestis transexuais ainda vivenciam um conjunto de negligência de direitos".

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